O plano de ações para o atendimento aos dependentes químicos foi lançado oficialmente na noite desta terça-feira (24) pelo Governo de São Paulo. O projeto será coordenado pelo vice-governador Felicio Ramuth (PSD).
O ex-prefeito de São José dos Campos já havia sido confirmado à frente das ações relacionadas à Cracolândia no início de janeiro. A região reúne fluxos de dependentes de drogas e atualmente está espalhada, principalmente, pela região central da capital paulista.
Entretanto, a iniciativa anunciada ontem compreenderá outras áreas além da região popularmente chamada de Cracolândia. Em entrevista ao Portal SP RIO+, Felicio disse que a Cracolândia “se dispersou em várias cenas abertas de uso”.

Nas redes sociais, Felicio agradeceu ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela nomeação.
“Missão essa que recebo com muito entusiasmo. Sabemos que não haverá uma solução mágica, mas com muito trabalho e dedicação vamos conseguir fazer a diferença na vida dessas pessoas”, escreveu Felicio.
Sobre o novo plano para a Cracolândia
Segundo a administração estadual, o plano foi elaborado a partir de diagnósticos de médicos, especialistas e representantes da sociedade civil.
As ações serão estruturadas em quatro pontos centrais: a abordagem qualificada aos usuários por meio de profissionais especializados; oferta de várias linhas de cuidado para tratamento da dependência química, integração completa da jornada de cuidados, com acompanhamento nos equipamentos estaduais e municipais; e a plena oferta de serviços públicos em todas as frentes de atuação, por meio da atualização do cadastro único.
Durante o lançamento do projeto, o governador Tarcísio de Freitas explicou que o objetivo é reinserir os dependentes químicos na sociedade.
“O objetivo é garantir aos dependentes químicos uma oportunidade de reinserção social, uma porta de saída do vício. Vamos aprimorar o trabalho de abordagem na ponta e ampliar as possibilidades de tratamento e acompanhamento dessas pessoas durante todo processo”, explicou.
Todas as atividades serão monitoradas por câmeras inteligentes interligadas ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Secretaria da Segurança Pública.
Outra medida é que as atividades de policiamento preventivo na área serão intensificadas pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Metropolitana, bem como o trabalho de polícia investigativa e judiciária pela Polícia Civil.
Durante o lançamento, o governador admitiu que o estado de São Paulo poderá adotar a internação compulsória como medida para solucionar o problema. Entretanto, destacou que ela só vai ocorrer “quando for necessário”.

Ampliação do atendimento
O Governo também anunciou que irá contratar 200 profissionais especializados em dependência química e outros 50 de apoio para realizar as atividades.
As equipes contarão com 25 novas viaturas para o suporte logístico.
Além disso, o Estado irá reformular o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), que passará a atuar como um novo hub de atendimento aos usuários de substâncias psicoativas e seus familiares.
Também será ampliado a capacidade de atendimento aos usuários em comunidades terapêuticas. Segundo o Governo, serão 1.000 novas vagas, sendo 500 delas para utilização imediata.
Outros 264 leitos para desintoxicação também estarão disponíveis para atendimento em hospitais gerais, no Instituto de Estudo de Álcool da Universidade de São Paulo (USP Cotoxó), e na Unidade Helvétia, que será reestruturada.
O plano de ações para a Cracolândia e outras áreas abertas de uso conta com apoio do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), do Ministério Público Estadual (MP-SP) e da Defensoria Pública do Estado.

