
O Instituto Argonauta, com sede em Ubatuba, atendeu em 2022 um total de 1.288 ocorrências envolvendo cerca de 30 espécies de animais marinhos em toda a extensão do litoral norte do estado de São Paulo. O balanço foi divulgado na última quarta-feira (4).
Segundo os dados, o grupo que teve maior atendimento de ocorrências foi o de tartarugas-marinhas. Veja o ranking:
– Tartarugas-marinhas: 794 atendimentos, sendo 2% envolvendo animais vivos, e 98% animais mortos
– Aves marinhas: 382 ocorrências, sendo 27% animais vivos e 73% de mortos
– Mamíferos: 112 ocorrências, sendo 3% animais vivos e 97% mortos.

Tartarugas-marinhas
Das tartarugas-marinhas, a maior espécie que contabilizou atendimento, segue sendo a tartaruga-verde (Chelonia mydas), seguida da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) depois pela tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e, por fim, tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) que por ser uma espécie mais oceânica dificilmente é avistada por aqui.
Mamíferos
O destaque de atendimentos neste ano vai para o grupo de mamíferos, em especial para as toninhas (Pontoporia blainvillei) – a espécie de golfinho mais ameaçada do Brasil, classificada como espécie vulnerável pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e como “criticamente em perigo” pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil (Portaria 148/2022).
Em 2022, foi registrado um total de 64 ocorrências envolvendo animais mortos desta espécie, o maior número de ocorrências contabilizado pela instituição nos últimos 5 anos.
Depois das toninhas, foi do boto-cinza (Sotalia guianensis); seguido por golfinho-pintado-do-atlântico (Stenella frontalis), baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) e, por fim, o golfinho-comum (Delphinus delphis). Com o destaque para a visita ilustre do elefante-marinho (Mirounga leonina), que foi monitorado pela equipe no início de 2022, na região norte de Ubatuba.
Aves marinhas
Em relação ao grupo de aves marinhas, o maior número de atendimentos foi da espécie pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) em 2022.
A espécie biguá (Nannopterum brasilianum) superou as ocorrências do atobá-pardo (Sula leucogaster), que apareceu em terceiro lugar, seguidos do bobo-pequeno (Puffinus puffinus) e da ave marinha bobo-grande-de-sobre-branco (Puffinus gravis), que também aparece com destaque, pois, foi o ano de maior ocorrência dessa espécie.
Sobre o Instituto Argonauta
Todo esse atendimento aos animais vivos e mortos que são encontrados nas praias do litoral norte de São Paulo, que compreende as cidades de Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba).
As ações envolvem profissionais de campo e equipes que trabalham na reabilitação, realizando o diagnóstico dos que chegam vivos, além de realizarem as necropsias dos que são encontrados mortos.
Os animais atendidos pela equipe chegam até a instituição através das equipes de monitoramento do PMP-BS ou acionamento da população.
O Instituto Argonauta foi fundado em 1998 pela Diretoria do Aquário de Ubatuba e reconhecido em 2007 como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). O objetivo é a conservação do meio ambiente, em especial dos ecossistemas costeiros e marinhos. Para isso, apoia e desenvolve projetos de pesquisa, resgate e reabilitação da fauna marinha, educação ambiental e resíduos sólidos no ambiente marinho, dentre outras atividades.