
A primeira plataforma 100% nacional apta a atuar no mercado de pesquisas em ambiente de microgravidade é de São José dos Campos.
Lançada a bordo de um foguete VSB-30 no dia 23 de outubro deste ano, a plataforma foi desenvolvida pela Orbital Engenharia, com sede no bairro Jardim das Indústrias, na região oeste da cidade.
O feito coloca o Brasil e a empresa no seleto mercado de ofertar, ao mundo, serviços de pesquisas em ambiente de microgravidade.
E é exatamente esses “altos voos” que o CEO da empresa almeja. Em entrevista ao portal SP RIO+, Célio Costa Vaz destacou que a Orbital Engenharia mira o mercado norte-americano nos próximos anos.
“Nós agora vamos partir para comercialização dos serviços de experimentos em microgravidade. Nós abrimos uma startup nos Estados Unidos, está em San Juan, mas iremos, talvez, transferi-la para a Flórida, justamente para explorar o mercado espacial americano. Podem acreditar, usando tecnologia nacional”, explicou, otimista.
Segundo o engenheiro, a tecnologia brasileira possui alta capacidade de lançamentos e de realização de experimentos em microgravidade.
“Não que os americanos não tenham competência tecnológica para isso, muito distante disso, eles têm condições absoltas. Mas eles realizam esse tipo de experimento na Estação Espacial Internacional. Eles também têm foguetes de sondagem, mas utilizam pouco e não recuperam. O nosso é recuperável, é um diferencial”, disse.
A entrevista na íntegra está disponível no Spotify, no YouTube e ao final desta matéria.

O que é microgravidade?
A microgravidade ou ausência de peso é uma experiência (de pessoas e objetos) com origem na queda livre, onde não se possui um peso aparente.
Durante a entrevista ao portal SP RIO+, Célio Costa Vaz explicou que esse ambiente é indicado para testes de fármacos, de saúde, materiais, metalurgia, agronegócio etc.
“As aplicações são inúmeras. Com a pandemia, a indústria de fármacos descobriu grandes vantagens em se fazer experimentos em ambientes de microgravidade. É um ambiente onde você praticamente não tem peso. Então as forças de campo sobre o seu corpo se anulam”, explicou.
Como exemplo, o engenheiro da Orbital Engenharia citou uma aeronave da NASA que faz testes por meio de um voo em queda livre.
“Quando você está dentro, você está sendo acelerado para baixo, na mesma direção da gravidade, as forças que atuam sobre o corpo – força-peso – desaparecem. Ali você está a poucos segundos desse ambiente de microgravidade. Ou seja, é como se o corpo não tivesse peso”, destacou.
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100% nacional
O CEO da Orbital Engenharia ainda explicou durante a entrevista porque a plataforma lançada pela empresa pode ser considerada a primeira 100% brasileira.
“O lançamento da plataforma, para ela poder chegar neste ambiente, precisa de um veículo lançador, um foguete. O veículo que foi utilizado foi o VSP-30, que é desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Ele tinha 90 e poucos por cento de componentes nacionais. No último voo, foram 100% de componentes nacionais. E a plataforma, que foi a carga útil deste foguete, o objeto de transportar, também 100% nacional”.
O VSP-30 é o único veículo de sondagem brasileiro certificado para voar tanto no Brasil quanto na Europa.
Atualmente, ele possui mais de 30 voos, todos bem sucedidos. Também é muito utilizado na Europa.
Sobre a Orbital Engenharia
A Orbital Engenharia atua no desenvolvimento e no fornecimento de tecnologias inovadoras nas áreas de projetos, fabricação, montagem, integração e testes de sistemas, subsistemas e equipamentos para Defesa e Espaço.
Credenciada como Empresa Estratégica de Defesa (EED), a Orbital atua em programas de ponta, como na produção de geradores solares para satélites brasileiros, como o Amazônia 1, e os da família CBERS, desenvolvidos em parceria Brasil-China; e no desenvolvimento de tecnologias disruptivas nas áreas de nanotecnologia e propulsão hipersônica.