O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no litoral do Maranhão, terá o primeiro lançamento de um foguete da iniciativa privada neste domingo (18).
A decolagem do HANBIT-TLV, desenvolvido pela startup sul-coreana Innospace, marca o início de uma parceria de cinco anos com o governo brasileiro e representa um grande passo para a base se tornar um ‘point’ de lançamento de foguetes comerciais.

O acordo, assinado pela empresa diretamente com o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeronáutica), situado em São José dos Campos, prevê que a partir do ano que vem novos foguetes sejam lançados de Alcântara.
O lançamento foi batizado ‘Operação Astrolábio’ e tem como objetivo verificar o desempenho do motor do foguete, que não passará dos 100 quilômetros de altitude e portanto não entrará em órbita – atingindo a categoria suborbital.
O foguete
O HANBIT-TLV, desenvolvido e patenteado pela Innospace, é um foguete com 16,3 metros de altura, 1 metro de diâmetro e que pesa 8,4 toneladas.
Ele possui estágio único e está equipado com um motor híbrido – com propulsores à base de oxigênio líquido e parafina – de 15 toneladas que é alimentado por uma bomba elétrica. Além disso, o motor também é atóxico e não explosivo.
O veículo é um pequeno lançador de satélites e na base de Alcântara terá seu primeiro voo teste. O foguete chegou ao Brasil no dia 3 de dezembro, no aeroporto de São Luís, e depois foi levado até a CLA (localizada a cerca de 30km da capital amazonense) em uma viagem que durou cerca de 40 horas entre trajeto fluvial e terrestre.

A carga útil do foguete nesta missão será composta por um Sistema de Navegação Inercial (SISNAV), desenvolvido por profissionais do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço do Brasil).
De acordo com a FAB, o SISNAV é “um experimento tecnológico brasileiro essencial para a navegação autônoma de foguetes, que permitirá ao Brasil um grande passo em direção à independência no desenvolvimento de veículos para lançamentos de satélites de todos os tipos”.
Importância do lançamento para Alcântara e o Brasil
Em seu site, a Innospace afirma que Alcântara faz parte de uma meta própria de ter bases de lançamentos em todos os continentes. No caso do CLA, a demanda irá atender também outros países da América do Sul.
“[Em Alcântara] não há tráfego marítimo e aéreo, e é considerado um dos melhores locais para lançamentos de foguetes espaciais por ser vantajoso para segurança e proteção por estar fora de áreas residenciais”, explicou a empresa.
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Apesar de não haver tecnologia brasileira no HANBIT-TLV, seu lançamento depende de uma ação coordenada entre a FAB e da base de Alcântara, que na prática desempenham um papel parecido com o de um aeroporto.
Toda a infraestrutura de solo, apoio logístico, além do acompanhamento da missão, sistema de rastreio e terminação de voo são fornecidos pelos brasileiros.
Dos 50 lançamentos feitos por Alcântara em sua existência, nenhum foi de empresa privada. No entanto, há de se levar em conta que essa possibilidade é um tanto recente.
O uso comercial da base só foi permitido em 2019, quando o governo brasileiro assinou nos Estados Unidos um documento que viabiliza este tipo de iniciativa.
Trata-se do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST). O texto criou condições para que o país pudesse atuar conjuntamente com os EUA na base maranhense.
Em outras palavras, é um compromisso firmado entre os dois países para que se protejam as patentes e tecnologias desenvolvidas por ambos.
Último lançamento da base também foi especial
O último lançamento realizado pela base de Alcântara também teve um feito inédito. No dia 23 de outubro neste ano, foi ao ar o foguete VSB-30, o primeiro com produção 100% brasileira e carga útil nacional.
Na ocasião, o veículo, também suborbital, levou a bordo o experimento científico “Forno Multiusuários”, desenvolvido pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O lançamento foi feito a partir da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM), desenvolvida pelo IAE e fez parte da Operação Santa Branca.
O VSB-30 é um foguete que possuiu estágios à propulsão sólida, estabilizado rotacionalmente e que consegue transportar cargas de até 400 kg em altitudes na faixa de 270 km.
Após a decolagem, o veículo atingiu seu apogeu em 4 minutos e 1 segundo e finalizou o voo em 7 minutos e 44 segundos.
A Base de Alcântara
O Centro de Lançamento do município maranhense é considerado estratégico no mercado espacial por causa de sua ‘proximidade’ em relação à Linha do Equador, de 17 minutos.
Tecnicamente, a base está a dois graus da linha, o que faz com que a velocidade de rotação da Terra ali naquele ponto seja maior que em latitudes mais elevadas.
Por conta disso, os voos que partem da base têm uma leve ‘ajudinha’ e chegam ao espaço mais rápido. Como resultado, há uma maior economia de combustível, um dos principais gastos das operações de lançamentos de foguetes.
Outros fatores como as condições as climáticas do Nordeste, a baixa densidade demográfica (relação entre população e superfície do território) da região e a inexistência de vulcões e terremotos fazem de Alcântara uma das melhores bases do planeta.
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