A Semana de Arte Moderna de 1922 e seus “modernismos” vão movimentar praticamente todas as discussões da 55ª Semana Cassiano Ricardo, que acontece entre os dias 15 e 20 de novembro em São José dos Campos — uma homenagem ao poeta joseense que dá nome à Fundação Cultural da cidade, ele mesmo um modernista de primeiro time.
“A ideia foi atualizar o tema e mostrar a influência do Modernismo em várias frentes”, diz o jornalista Julio Ottoboni, curador do evento e estudioso da obra de Cassiano Ricardo há mais de quarenta anos.
Concertos musicais vão pontuar a programação, reunidos sob a chancela “Sua Excelência o Violão”, cm curadoria de Acácio Oliveira, que desde 1988 é considerado “embaixador da música” da cidade (veja relação dos concertistas abaixo).

Modernismo
A abertura da Semana será nesta terça-feira (15), às 19h, com uma palestra do jornalista cultural Ricardo Soares, seguida de uma apresentação do violonista Acácio Oliveira, no Parque Vicentina Aranha.
Soares, que foi poeta underground e é bastante conhecido por criar e apresentar programas culturais, com destaque para o Metrópolis, da TV Cultura, fará uma apresentação do movimento modernista, de alguns de seus personagens, como o próprio Cassiano. Apresentará também uma releitura de livros republicados e lançados agora no centenário do movimento.
O curador dá um spoiler: Soares pode tratar da polêmica envolvendo o escritor Rui Castro e suas críticas veementes à Semana de 22.
Jornalismo e poesia
Na quarta-feira, a jornalista Neide Duarte, conhecida repórter da TV Globo, mostra como a poesia de modernistas e outros tantos poetas a inspiraram na composição de seus textos. “Ela quebrou paradigmas ao usar poesia, em tempos em que texto de televisão não competia com a imagem”, aponta Ottoboni.
Na quinta-feira a Semana de 22 é contextualizada com a palestra sobre o livro “Semana de 22: Antes do começo, depois do fim”, com a participação dos autores José e Lucas De Nicola. O título do livro aponta para a gênese das primeiras ideias modernistas, assim como para seus desdobramentos, em pesquisa onde não faltaram fontes primárias.
O debate sobre modernismo e pós-modernismo será amplificado com os doutores Andréa Barros e Emmanuel Santiago, discussão agendada para sexta-feira.
A série de palestras se encerra com a exposição de Fabrício Grellet, que apontará a influência do Modernismo e da Arte Moderna nos Quadrinhos. Quac!
Sarau de abertura
Para a abertura, a FCCR preparou também o sarau “Canções para Atravessar a Noite Escura”, com o lançamento do CD de mesmo título, de Kátya Teixeira, além da divulgação do “Cantando a Gente se Tece”, de Deo Lopes e participação de André Venegas. O sarau será realizado no Cine Teatro Benedito Alves, a partir das 20 horas.
Programação
| Parque Vicentina Aranha (Rua Eng. Prudente Meireles de Morais, 302 – Vila Adyana)
Terça (15)
– Às 19h – Palestra “A importância da Semana de Arte Moderna e sua releitura nos livros publicado em seu centenário”, com o jornalista cultural Ricardo Soares
– Às 20h – Concerto de violão com Acácio Oliveira
Quarta (16)
– Às 19h – Palestra “A Influência do Modernismo na Linguagem do Jornalismo”, com a jornalista Neide Duarte
– Às 20h – Concerto de violão com Bruno Madeira
Quinta (17)
– Às 19h – Palestra sobre o livro “Semana de 22: Antes do começo, depois do fim”, com a participação dos autores José e Lucas De Nicola.
– Às 20h – Concerto de violão com Diogo Oliveira
Sexta (18)
– Às 19h – Debate sobre o Modernismo e Pós-Modernidade na Literatura, com os doutores em literatura Andréa Barros e Emmanuel Santiago
– Às 20h – Concerto de violão com Alexandre Wuensche
Sábado (19)
– Às 19h – Palestra “A Influência do Modernismo e da Arte Moderna nos HQ’s” com Fabrício Grellet
– Às 20h – Concerto de violão com Lucas Pullin
| Sala de leitura do Vicentina Aranha
Domingo (20)
– Às 19h – Apresentação da Cia de Dança de São José dos Campos
– Às 20h – Entrega do Troféu Cassiano Ricardo
| Cine Teatro Benedito Alves (rua Rui Dória, 935 – Centro)
Terça (15)
– Às 20h – Sarau “Canções para Atravessar a Noite Escura” com Kátya Teixeira, Deo Lopes e André Venegas
Os concertos e os concertistas
Acacio Oliveira – Violão

Natural de Bauru, recebeu orientação dos profs. Henrique Pinto, Turibio Santos e aperfeiçoou – se com Miguel Angel Girrolet e Alexandre Lagoya. Obteve a Menção Prêmio no Festival de Inverno de Campos do Jordão, em 1980 para aperfeiçoar-se em Lauzanne na Suiça.
É Bacharel em violão e Pós-graduado em Metodologia do Ensino das Artes e Superior em Música.
É um entusiasta dos compositores brasileiros em leituras especiais de obras escritas para o violão ern edições para emissoras televisivas brasileiras e internacionais. O seu repertório abrange claramente os principais períodos da música Renascentista, Barroca, Clássica e Contemporânea. Se apresentou por todo o território nacional e pais como México Moscou a convite para concerto e máster-Class executando a obra completa do compositor Heitor Villa – Lobos solo e Cameristico.
Gravou 6 álbuns, sendo o último dedicado à leitura da obra do compositor Mário Castelnuovo – Tedesco e a poesia de Federico Garcia Lorca (primeira gravação da América Latina da obra”Romancero Gitano”).
Em 1998 recebeu do município de São José dos Campos a ordem de “Embaixador da Música Joseense” e medalha “Cassiano Ricardo” pelos relevanates serviços a comunidade Joseense.
O seu repertório abrange as formações solo, camerístico e sinfônico. Com vasta experiência, apresentou – se em concertos e turnês nos Estados Unidos, Itália, República da Sérvia, México e Rússia, além das participações pelo mundo com diversas Orquestras Sinfônicas.
Repertório: Américo Jacomino, J.S.Bach, Enrique Granados, Nicolo Powell, Heitor Villa-lobos e Manuel de Falla.
Bruno Madeira

Premiado em mais de vinte concursos nacionais e internacionais, o violonista Bruno Madeira vem se destacando como solista, professor e pesquisador.
Doutor em Música pela Universidade Estadual de Campinas, Bruno se apresentou como solista e camerista (em duos com flauta, piano, canto e violino) em diversos festivais, salas e séries de concerto do Brasil, Argentina, Alemanha, Equador, República Tcheca e Eslováquia. Em 2022 lançou seu primeiro álbum, “Colunas” (ProAC/SP), com música latino-americana para violão solo.
Foi professor da Universidade do Estado de Santa Catarina e da Universidade Federal de São Carlos e é regularmente convidado para realizar concertos e masterclasses em universidades, conservatórios e festivais.
Repertório: J.S. Bach, Mauro Giuliani, Camargo Guarnieri, Assad e Gnattali.
Diogo Oliveira

Diogo Oliveira é Mestre em violão pela Universidade de Alicante na Espanha e Bacharel em violão pela Unicamp.
Foi premiado em diversos concursos nacionais e internacionais e apresentou-se em diversos estados brasileiros como Rio de janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e em outros países tais como Espanha, Argentina e Paraguai.
Repertório: Villa-Lobos, Dilermando Reis, Paulinho Nogueira, Toquinho, Baden Powell, João Pernanbucano, Antonio Madureira e Yamandú Costa.
Alexandre Wuensche e convidados

Natural do Rio de Janeiro, Alexandre Wuensche (Carlos Alexandre Wuensche de Souza) é um violonista de formação erudita com grande vivência na música urbana brasileira. Iniciou suas atividades musicais em Brasília, tomando contato com o choro em meados dos anos 70. Alexandre toca violões de 6, 7 e 8 cordas, cavaquinho e viola brasileira.
Foi aluno regular de Genésio Nogueira, Sérgio Assad, Paul Rosandich e Henrique Pinto. Seu interesse pelo choro e samba o levou ao violão de 7 cordas tradicional (de aço) e depois ao violão de 7 cordas solista (de nylon). Sua opção pelo violão de 8 cordas, a partir de 1995, foi motivada pela exploração das possibilidades harmônicas do instrumento.
Já acompanhou sambistas e chorões do porte de Jorge Aragão, Nelson Cavaquinho, Ney Lopes, Altamiro Carrilho e Alceu Maia. Em 1994, participou da fundação do Clube do Choro Pixinguinha (S. José dos Campos), onde atuou como diretor educacional e tocou, regularmente, até 2002.
Participou de diversos festivais de violão, choro e música erudita, entre eles os Seminários Souza Lima, Festivais de Música de Ourinhos, Festivais Nacionais de Choro da EPM, Oficinas de Música de Curitiba e cursos de violão, arranjo e composição na Escola Portátil de Música (2020 e 2021).
Formou o Duo Costa-Wuensche com o violonista Milton Costa, atuando entre 1996 e 2003 em todas as casas de cultura e em diversas salas de concerto de S. José dos Campos. O Duo realizou mais de 50 recitais entre 1997 e 2002, incluindo o concerto de encerramento do Festival de Verão de Petrópolis, em janeiro de 2000.
De 2007 a 2011 tocou no Spalla Violão Trio, onde atuou como violonista e arranjador, transcrevendo peças brasileiras dos séc. XIX e XX. O Trio fez diversos recitais no Vale do Paraíba, executou em 2008 o Concerto em Sol para 2 Bandolins e Orquestra de Câmara, com a Orquestra Barroca de S. José dos Campos e foi suplente municipal no Mapa Estadual de Cultura 2009.
Em 2018, atuou como violonista e arranjador no III Festival de Choro Pixinguinha no Vale, escrevendo os arranjos da apresentação em homenagem aos Maestros José Antônio Cunha (S. José dos Campos) e Benedito Pires de Almeida (Jacareí). Elaborou os projetos “Pixinguinha de Bolso” e “A Fina Linhagem do Samba”, ambos aprovados no Edital Circulação da FCCR e participou da elaboração do projeto “Somos todos Chiquinha”, aprovado no Edital do Fundo Municipal de Cultura da FCCR – Diversidade e Gênero, participando como violonista e arranjador. Ainda em 2018, fez parte do projeto “Homenagem ao Mestre Zé Mira”, aprovado no Edital do Fundo Municipal de Cultura, quando integrou a Camerata de Violas Zé Mira tocando viola brasileira e violão de 8 cordas.
Em 2019 participou, como solista, dos concertos “Uma noite em Espanha”, com participação solo e em quarteto, executando o Concierto Andaluz para quatro violões e orquestra, de Joaquin Rodrigo, com os violonistas Acácio Oliveira, Milton Costa e Sergei Matokhin.
Em 2021 participou, como solista, do Concerto “O Erudito abraça o Choro”, com participação solo, duo e trio, executando peças de Heitor Villa-Lobos, João Pernambuco e Radamés Gnatalli, com os violonistas Acácio Oliveira e Milton Costa.
Em 2022 foi o violonista do quarteto Choro de Resistência, que executou a suíte Retratos (Radames Gnatalli) com a Orquestra Sinfônica de Piracicaba. Tem trabalhado com o quarteto tocando peças dos primórdios do Choro, em apresentações no SESC do interior de S. Paulo.
Em 2015 criou a Conversa de Cordas Duo com a cavaquinista e violonista Tô Mendes (Maria Antonieta Sachs Mendes), em que exploram um repertório instrumental brasileiro e erudito. A Conversa de Cordas utiliza violões de 6, 7 e 8 cordas, cavaquinho, banjo, viola brasileira e violão tenor.
Repertório: Dilermando Reis, Garoto, Marco Pereira, Nicanor Teixeira, João Pernambuco, Heitor Villa-Lobos e Jacob do Bandolim
Lucas Pullin

Natural de Caçapava, Lucas Pullin cresceu em São José dos Campos onde iniciou seus estudos musicais aos 9 anos de idade.
Aos 13 decidiu estudar violão e dois anos depois ingressou no Conservatório Musical Souza-Lima que o levou à UNESP para estudar Composição e Regência Orquestral. Em 2010 foi aprovado com bolsa na The Juilliard School em Nova Iorque, sob orientação de Sharon Isbin, para o mestrado em performance de violão. Dois anos mais tarde fez pós-mestrado na Manhattan School of Music, sob orientação de Mark Delpriora.
Há 12 anos em Nova Iorque Lucas Pullin divide uma carreira de concertista, em recitais solo e em diversas formações camerísticas, com a de educador.
Alguns destaques: em 2019, deu concertos de câmara; violão e flauta, com repertório clássico e de MPB; em 2018, apresentou tangos e música brasileira com violino no Bar Thalia em Manhattan; em 2016, tocou no palco do Joe’s Pub em NY e em duo com piano, um programa de música brasileira com foco na vida de Heitor Villa-Lobos, um projeto que começou em Nova Orleans em 2015, passando por diversos estados americanos; em 2014, no festival “¡Guitarras Latinas!” em Assunção no Paraguai, além de realizar um recital também deu master classes para alunos de bacharelado em violão;
No Brasil, foi solista da orquestra de câmara da UNESP em 2008 e em 2009 esteve à frente da mesma como regente.
Repertório: J.S.Bach, Heitor Villa-Lobos, Chiquinha Gonzaga, Francisco Tarrega e João Pernambuco.