A Esquadrilha da Fumaça realizará um show aéreo em São José dos Campos neste sábado (4).
O grupo de demonstrações aéreas da FAB (Força Aérea Brasileira) se apresentará a partir das 16h e poderá ser visto pelo público nos céus da cidade do Mirante da Anchieta, no Banhado.
O show é promovido pelo DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) e pela Prefeitura de São José dos Campos e contará com a formação completa do esquadrão, com 7 aeronaves A-29 Super-Tucano em manobras emocionantes.

Em 2022, a Esquadrilha da Fumaça completou 70 anos de história e quase 4 mil apresentações no Brasil e no mundo.
Neste sábado, o esquadrão fará sua 30ª exibição em São José dos Campos em celebração à datas importante dos últimos meses, como o Dia do Aviador (23 de outubro) e o Bicentenário da Independência do Brasil (7 de setembro).
A história da Esquarilha da Fumaça
A Esquadrilha da Fumaça teve origem no início da década de 50 pela iniciativa de jovens instrutores de voo da antiga Escola de Aeronáutica, no Rio de Janeiro.
Em suas horas de folga, os pilotos treinavam acrobacias em grupo com o intuito de incentivar os cadetes, que estavam iniciando os estudos, a confiarem em suas aptidões e também no nível de segurança oferecido pelas aeronaves.
Na época eram usados aviões North American T-6, um monomotor desenvolvido pela NAA (North American Aviation) e utilizado pelas Forças Armadas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial.
Com as aeronaves, os pilotos brasileiros executavam, em duas aeronaves, manobras de precisão como “loopings” – círculos feitos na vertical com início a fim no mesmo ponto, formando uma figura perfeitamente redonda, como um laço – e “tounneaux” – um ‘meio looping’ em que o retorno é feito em voo invertido.
Com o tempo e após inúmeras discussões sobre a atividade, os aviadores passaram a voar com três aeroaves, e depois, com quatro.

A primeira demonstração oficial do grupo veio em maio de 1952. Após algumas apresentações, os pilotos viram a necessidade de proporcionar ao público uma forma melhor de visualizar as acrobacias executadas pelo grupo.
Com isso, a partir de 1953, foi acrescentado às aeronaves um tanque de óleo exclusivo para a produção de fumaça no céu.
A novidade fez sucesso entre os cadetes da escola e o público, e assim a equipe foi batizada de “Esquadrilha da Fumaça”. A primeira escrita com a fumaça foi a sigla “FAB”, em show aéreo nos céus da praia de Copacabana.
Com a oficialização do esquadrão, as atividades seguiram até o ano de 1976, quando após 1.272 demonstrações, o então Ministério da Aeronáutica resolveu não utilizar mais a NA T-6 nas atividades do grupo. No entanto, a partir daquela data, a Fumaça cessou suas atividades por um breve período.
A volta do esquadrão aconteceu alguns anos mais tarde, já na Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP). lá, o então comandante da academia incentivou a reativação da Fumaça e fez a seleção de alguns instrutores, que passaram a treinar com os T-25 Universal, que equipavam o Esquadrão de Instrução Aérea.
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O retorno do grupo, porém, veio com um novo nome, “Cometa Branco”. Os procedimentos de segurança e a doutrina do esquadrão seguiam os mesmos da antiga Fumaça.
Em 10 de julho de 1980, os aviadores do Cometa Branco fizeram seu primeiro show aéreo durante a cerimônia de entrega de Espadins aos cadetes que haviam ingressado na AFA naquele ano.
Após 55 demonstrações, os “Tangões”, como eram apelidados os aviadores, passaram a incorporar a famosa Esquadrilha da Fumaça em seu retorno oficial. Em outubro de 1982, era criado o Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), que segue até hoje.
A modernização da Fumaça
Desde seu renascimento na década de 80, a Fumaça fez apresentações pelo Brasil e ao redor do mundo, passou por vários processos de modernização, atualização de aeronaves e até mudança de repertório de manobras para os shows.
Em 2013, a esquadrilha iniciou o processo de implantação operacional e logística das aeronaves A-29 Super Tucano, utilizadas pelos pilotos atualmente.
As cores da Bandeira do Brasil, presentes desde o princípio, continuam a compor a pintura do novo avião, que ganhou tonalidades mais fortes e marcantes. A própria bandeira nacional, inclusive, tem destaque na cauda do A-29.
A-29 Super Tucano
O A-29 é um avião produzido pela Embraer no Brasil e criado para treinamentos e ataques leves. Ele é monoplano, possui asa baixa, é monomotor turboélice, monoplace e biplace em tandem. Com 11,14m de envergadura, 11,30m de comprimento e 3,97 de altura, a aeronave pesa sozinha 3,2 toneladas e alcança até 590km/h no ar.

O limite de carga G suportado pela aeronave varia entre +7 e -3,5. A ‘Força G’, para quem não é íntimo do assunto, é a medida que representa o efeito da aceleração que um determinado objeto atinge (nesse caso o avião ou o piloto) ao mesmo tempo em que sofre o efeito da aceleração que a gravidade transmite sobre ele.
Essa força sempre se manifesta no sentido oposto ao do movimento. Então quando, por exemplo, os pilotos da Esquadrilha da Fumaça fazem um looping em alta velocidade, no ponto mais alto da trajetória (nesse momento, com a aeronave de cabeça para baixo) eles sentem uma grande força os empurrando para cima. Algo como se seus corpos estivessem sendo esmagados.
Para se ter uma noção do impacto, em uma acrobacia próxima dos 8 G, um piloto de avião que tenha cerca de 70 kg sentiria uma força equivalente ao peso de dois cavalos (cerca de 600 kg) pressionando seu corpo no sentido oposto.
A formação atual da Esquadrilha da Fumaça
A formação tradicional da Esquadrilha da Fumaça nas apresentações conta com 7 aviões pilotados por aviadores que exercem diferentes funções. Cada uma das aeronaves tem sua posição na formação, que é indicada por números que vão de #1 a #7 e são estampados nas laterais da fuselagem.
Em todas as posições, exceto na de Líder, há dois aviadores que se revezam nas demonstrações. O esquadrão conta com 13 pilotos no total, além da equipe de solo chamada de “Anjos da Guarda”, responsável por garantir a segurança e disponibilidade das aeronaves, além de cuidar das tarefas administrativas.

A seleção dos pilotos da Fumaça é bastante criteriosa e requer grande experiência em voo. Para se candidatar a piloto do EDA, os profissionais precisam ter, no mínimo, 1.500 horas de voo, sendo 800 delas como instrutor da Academia da Força Aérea (AFA) ou do Esquadrão Joker (2º/5º GAV).
O Vale do Paraíba é representado na esquadrilha pelo Tenente Coronel Aviador Daniel Garcia Pereira, atual comandante do grupo e natural de Taubaté.

Incialmente, Garcia integrou a equipe do EDA de 2012 a 2018, tendo voado nas posições de #5 (Ala Esquerda Externa), #6 (Ala Direita Externa) e #7 (Isolado).
Em dezembro de 2019, retornou ao esquadrão como Oficial de Operações, passando a voar na posição #1 (Líder) e assumindo o comando da Fumaça.
Segundo informações da FAB, o Tenente Coronel possui mais de 4 mil horas de voo e já pilotou diversas aeronaves, como T-25, T-27, AT-26, A-1, U-42, C-98 e A-29.
Confira a formação completa da Esquadrilha da Fumaça por posição:
#1 – Líder
- Tenente Coronel Aviador Garcia
#2 – Ala Direita
- Major Aviador Grothe
- Capitão Aviador Fontoura
#3 – Ala Esquerda
- Capitão Aviador Santoro
- Capitão Aviador Furlan
#4 – Ferrolho
- Major Aviador Bittencourt
- Capitão Aviador Vitor Kawka
#5 – Ala Esquerda Externa
- Capitão Aviador Furtado
- Capitão Aviador Kawka
#6 – Ala Direita Externa
- Capitão Aviador Moreno
- Capitão Aviador Bezerra
#7 – Isolado
- Major Aviador Natalício
- Capitão Aviador Reis