
A Associação para o Fomento da Arte e da Cultura (AFAC), gestora do Parque Vicentina Aranha, se pronunciou sobre o protesto de Maria Gadu no final de seu show no sábado (17). A cantora recebeu da plateia uma bandeira do candidato à Presidência do PT, Lula (PT), a qual ela segurou e estendeu no palco.
Segundo a entidade, a manifestação não estava prevista em contrato.
“Sobre a manifestação ocorrida no show de sábado (17), foi uma ação isolada de um grupo político, que utilizou o espaço de um evento apartidário para a promoção de campanha eleitoral. A AFAC – Organização Social de Cultura não compactua com manifestações partidárias e que não estejam ligadas a atividade fim do evento, que é a promoção da cultura, da música e da literatura”, diz a nota enviada à SP RIO+.
Durante a apresentação em São José dos Campos, Maria Gadu também recebeu no palco manifestantes do movimento ‘Banhado Resiste’, que faz ações contra a desocupação de casas da comunidade no centro da cidade.
Além de demonstrar apoio a Lula, Maria Gadú também chamou o presidente Jair Bolsonaro (PL) de “genocida”.
Nota da Prefeitura sobre o show de Maria Gadú no Vicentina Aranha
Em suas redes sociais, o prefeito de SJC, Anderson Farias (PSD), também reprovou o ato da cantora e disse que houve desvio de finalidade cultural.
“Determinei à Afac, entidade gestora do Parque Vicentina Aranha, a prestar esclarecimentos e tomar providências necessárias para suspensão do pagamento do cachê da cantora Maria Gadú, bem como a devolução dos valores já pagos através da lei de incentivo fiscal federal.
Na noite do último sábado (17), durante apresentação na Flim, a cantora transformou o evento num showmício, o que é vedado pela legislação eleitoral.
Trata-se de um evento público pago com verba pública, realizando num parque público.
Maria Gadú, fez campanha eleitoral com pedido de voto para um candidato à presidência da República.
Reforço que houve desvio de finalidade cultural por parte da cantora e sua equipe no show realizado no Parque Vicentina Aranha”, diz a nota.
Sobre o festival
A Festa Líteromusical (FLIM) aconteceu no Parque Vicentina Aranha, na região central de São José dos Campos, entre os dias 15 e 18 de setembro.
O evento é uma realização da AFAC (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura), associação de promoção à cultura sem fins lucrativos que recebe recursos da Prefeitura de São José.
A edição deste ano é considerada a maior de sua história, já que reuniu cerca de 45 mil pessoas em quatro dias de evento gratuito e pacífico, com atrações para públicos de todas as idades, entre mesas literárias, shows, lançamentos de livros, saraus, intervenções artísticas, exposições, feirinha de artes, ações formativas, programação infantojuvenil, socioambiental e outras.
Mais de 700 pessoas entre profissionais, artistas, voluntários estiveram envolvidos na realização do evento.
O tema deste ano foi “Py – O lugar onde se pisa”. Em Guarani, a palavra “Py” é a mesma utilizada para designar “pé” e “o lugar onde se pisa”, o chão.