
Um dos eventos musicais mais tradicionais do mundo, o Rock in Rio se encerrou neste domingo (11). Além dos shows, o mega evento também contou com manifestações políticas contra o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Alguns artistas apoiaram as manifestações do público, enquanto outros foram os que justamente iniciaram, como Emicida.
Entretanto, alguns mantiveram um posicionamento neutro, como é caso de Elba Ramalho.
Vale destacar que na edição deste ano, o Rock in Rio divulgou uma nota sobre o período eleitoral, vetando a participação de candidatos em palcos do evento.
Em publicação feita via stories do Instagram, recomendou que os envolvidos com o festival se informem sobre a lei eleitoral.
Manifestações contra Bolsonaro no Rock in Rio: confira
Black Pantera

Na abertura do Rock in Rio, no Palco Sunset, a banda Black Pantera trouxe músicas polêmicas, como “Fogo nos Racistas”.
Após o vocalista exigir intolerância contra intolerantes, a plateia iniciou um coro de “fora Bolsonaro”, o primeiro do festival contra o presidente.
Os integrantes se mostraram favoráveis à manifestação e, em seguida, se posicionaram.
“E é isso, representatividade importa, essa necropolítica não nos representa. Contra todo tipo de preconceito, a gente gostaria que geral levantasse o dedo do meio e mandasse um grande f* pra todo tipo de preconceito. É isso”, disse o vocalista, Charles Gama.
Após um discurso com palavrões, os integrantes da Black Pantera deixaram o festival ovacionados pelo público e pediu mais “bandas pretas, indígenas, femininas e feministas no palco”.
Ivete Sangalo

No último dia de evento, a cantora Ivete Sangalo abriu a programação do palco Mundo. Em seu show, ela pregou a paz e se posicionou contra as armas.
Com fama de ficar em cima do muro, a cantora é frequentemente cobrada pelos fãs a se posicionar.
“Dia 2 vamos mudar tudo”, disse Ivete. “Um novo tempo está chegando”, completou.
Até então, a cantora não havia se posicionado politicamente. Entretanto, a declaração pode ser interpretada como uma indireta ao presidente Jair Bolsonaro, que é abertamente defensor do armamento da população.
“Não precisamos de armas. Precisamos de amor! Deus não gosta de violência. Deus gosta de amor”, disse a cantora.
Capital Inicial

O cantor Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, exaltou a democracia durante o show da banda, que foi a primeira atração do Palco Mundo no quinta dia do evento.
Momentos antes de iniciar “Que País É Esse”, música da banda Legião Urbana, Dinho disse que a canção representa a “distopia brasileira”.
“Viva a democracia brasileira! Não vai ter golpe!”, exaltou Dinho. “É preciso dizer que a ignorância e a violência não passarão”.
Apesar de não citar diretamente o nome de Bolsonaro, a plateia puxou gritos contra o presidente.
Entretanto, Dinho se mostrou orgulhoso e fez um sinal de queria ouvir mais dos protestos.
Emicida

Ao final do show de Emicida, durante a terceira noite do evento, a plateia ecoou gritos de “Ei, Bolsonaro, vai tomar no…”.
O cantor também se mostrou adepto à manifestação e incentivou a plateia a gritar mais alto.
“Vocês podem falar mais alto?”, disse.
Em seguida, ele agradeceu: “Obrigado. Vocês são f*da. E dia 2 de outubro, façam isso na urna”, completou.
Por fim, respondeu às críticas do público que não aprovam falar de política durante apresentações musicais.
“Tinha um pessoal falando que não era de bom tom falar de politica no palco. Mas se eu estou aqui é porque há 30 anos o Racionais decidiu ser política na música”, disse.
Sepultura

Após a Orquestra Sinfônica Brasileira parar de tocar, a Banda Sepultura subiu ao Palco Mundo, no dia 2, e foi recebida pelo público com protestos contra o presidente.
“Ei Bolsonaro, vai tomar no…”, gritava a plateia.
Entretanto, os artistas não se pronunciaram sobre os gritos.
Elba Ramalho

A cantora Elba Ramalho se apresentou no Rock in Rio 2022 na sexta-feira (9/9) e foi recebida pelo público do festival aos gritos de “Fora, Bolsonaro” e “Ei, Bolsonaro, vai tomar no…”.
O tema foi muito comentado nas redes sociais, pois a cantora já afirmou ser contra manifestações políticas em seus shows.
Em junho deste ano, um vídeo de um show da artista viralizou nas redes sociais. Na ocasião, Elba Ramalho reclamou de um coro em prol do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Não, não quero fazer política. Desculpa. Isso aqui é um show de São João, não é um comício. Mas tudo bem”, reclamou a cantora, em julho.
No Rock in Rio, a artista manteve sua postura isenta e não se manifestou.
Green Day

Durante sua participação no festival Rock in Rio, a banda de rock americana Green Day alterou um trecho de sua música “Holiday”, uma das mais conhecidas do grupo, para fazer críticas ao presidente Jair Bolsonaro.
Originalmente, a letra denuncia o autoritarismo e o comportamento belicoso do governo dos Estados Unidos. No Rock in Rio, o termo “representante da Califórnia” foi substituído por um “representante do Brasil”.
Gilsons

No sábado (10), a banda Gilsons tocou um jingle clássico da campanha do ex-presidente Lula durante show no palco Sunset.
Um dos artistas reproduziu a música em um solo de guitarra e puxou coro do público.
A manifestação teve início quando o público começou a gritar palavras contra Jair Bolsonaro: “Ei, Bolsonaro, vai tomar no…”.
O grupo é formado por José Gil, filho de Gilberto Gil; Francisco Gil e João Gil, netos do artista.
A mulher de Lula, Rosângela da Silva, conhecida como Janja, estava no evento. Durante o show, ela publicou uma foto com integrantes da banda em seu perfil no Instagram.
Maria Rita

A cantora Maria Rita, filha de Elis Regina, se vestiu de vermelho para se apresentar no Palco Sunset na noite de sábado (10), em uma alusão clara a cor do Partido dos Trabalhadores, o qual o ex-presidente Lula é filiado.
Apoiadora declarada de Lula, ela exibiu no telão apalavra “democracia”.
Assim, ela foi recebida pela plateia aos gritos de “Fora Bolsonaro”.
Gloria Groove

A artista drag-queen Gloria Groove se apresentou na quinta-feira (8), quarto dia de evento, no Palco Sunset.
Seu show terminou com uma manifestação política, mas só quem esteve no local pôde ver.
O Multishow, que estava transmitindo o evento, cortou o “L” feito pela cantora com a mão após cantar sua última música, “Vermelho”.
Na TV, apenas o braço da drag queen apareceu durante a transmissão.
Em seguida, a plateia ecoou o jingle eleitoral do candidato do PT à Presidência e xingou o atual presidente, Jair Bolsonaro.