O ex-prefeito de São José dos Campos Felicio Ramuth afirmou que as recentes ações coordenadas pela Prefeitura na comunidade do Banhado são para enfraquecer parte da população local que teria ligação com o crime organizado.
“É claro que a gente sabe que tem alguns moradores que até se beneficiam porque estão ligados, a minoria, ao crime organizado, e têm benefícios por conta disso. No ponto que você tem uma ação séria contra o crime organizado dentro daquele local, a tendência é enfraquecer essa parte da população que tem alguma ligação. A minoria, mas que tem alguma ligação com o crime organizado. Este é o objetivo de todas essas ações”, disse em entrevista à SP RIO+ nesta segunda-feira (12)
(Foto: SP RIO+)
No final do mês de agosto, no dia 23, a gestão comandou uma ação realizada pela Polícia Militar que demoliu sete casas na comunidade Jardim Nova Esperança (nome original do Banhado). Segundo moradores do bairro, três das casas demolidas, todas de alvenaria, eram ocupadas. No mesmo dia, uma manifestação próxima ao Colinas Shopping foi feita pelos moradores contra a atitude.
A Prefeitura, na mesma linha de Ramuth, afirmou que as demolições foram feitas em casas supostamente abandonadas e que poderiam estar sendo utilizadas para possíveis práticas de crimes, como o tráfico.
Hoje candidato a vice-governador de São Paulo na Chapa de Tarcísio de Freitas, Felicio parabenizou a Polícia Militar e o governo do Estado de São Paulo pela operação no Banhado. Ele ainda disse que “tudo vai ficar mais fácil” em breve, fazendo referência também à oferta feita às famílias locais para desocupar os imóveis.
“A pressão vai continuar. Contra o crime organizado, não contra a população de bem do Banhado. Eu acho que o Anderson [atual prefeito de São José] está no caminho certinho, você vai ver como daqui a pouco tudo vai ficar mais fácil. Até a oferta que a gente fez [de R$ 130 mil] para cada família. Tem gente lá que pediu R$500 mil pra tirar sua casa com piscina de dentro do Banhado, numa área ocupada e área de proteção ambiental”, disse Felicio sobre a situação no Banhado.
Histórico da “disputa” pelo Banhado
A comunidade Nova Esperança é alvo de disputa na Justiça há anos. De um lado, a Prefeitura pede a reintegração de posse com a retirada dos moradores. No entanto, o pedido não foi aceito pelo judiciário. A prefeitura chegou a recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo, mas o pedido foi indeferido.
A Defensoria Pública, que representa os moradores da comunidade, por outro lado, pediu a regularização fundiária do local. Esse processo também corre na Justiça e segue em análise.
De acordo com o município, no local há mais de 476 famílias irregulares no local em situações precárias e insalubres. Além disso, segundo a Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade da cidade, o local é protegido ambientalmente na Lei Orgânica do município desde 1990.
Confira a entrevista completa com Felicio Ramuth no Youtube da SP RIO+.
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