
O ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e candidato a deputado federal Ricardo Galvão (REDE) criticou a atuação política do astronauta Marcos Pontes (PL), ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Em entrevista à SP RIO+ nesta quinta-feira (11), Galvão disse que Marcos Pontes era uma grande esperança para a comunidade científica, mas que ele decepcionou, pois “serve” mais ao presidente do que à ciência.
A entrevista na íntegra está disponível ao final desta matéria, no YouTube e no Spotify da SP RIO+.
“Quando ele [Marcos Pontes] tomou o cargo, eu fui na cerimônia e nós conversamos. Ele disse que ia dar toda a atenção ao INPE. Também abriu um canal de diálogo com a Academia Brasileira de Ciências e com a Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência. Na prática, não fez absolutamente nada”, disse Ricardo Galvão.
Durante a entrevista, Galvão relembrou os ataques que o INPE sofreu em 2019 referentes a inconfiabilidade do instituto, advindas do então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (PL) e do General Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional.
Segundo o ex-diretor do INPE, Marcos Pontes não defendeu a comunidade científica na época.
“Enviei um ofício detalhado dizendo: ‘Ministro, esse ataque do Governo ao INPE não vai dar bons resultados para o Brasil. Por favor, abra um canal de diálogo que nós tínhamos com o Ministério de Meio Ambiente’. Qual foi a resposta dele? Nenhuma”, disse Galvão.
Segundo o ex-diretor do INPE, o ofício também propunha que, se os outros Ministérios tivessem interesse, o instituto desenvolveria novas ferramentas computacionais para ajudar nas análises de dados.
“Embora ele [Marcos Pontes] seja astronauta, sempre agiu para servir ao governo Bolsonaro. Nesta eleição, ele está agindo para servir ao Bolsonaro. Ele é mentiroso, artificioso e vai prejudicar o desenvolvimento da ciência no país”, disse Ricardo Galvão.
Relembre o caso
Em agosto de 2019, o então diretor do INPE, Ricardo Galvão, foi exonerado do cargo após o presidente Jair Bolsonaro dizer que não acreditava no aumento do desmatamento na Amazônia e que suspeitava que Galvão estava “a serviço de alguma ONG”.
Localizado em São José dos Campos, o INPE é o órgão responsável pelo monitoramento da Amazônia desde 1988.
Por outro lado, Galvão respondeu à acusação dizendo que o presidente “tomou uma atitude pusilânime e covarde” e que ele não iria pedir demissão do cargo.
Na época, a continuidade da administração foi discutida com o então ministro Marcos Pontes, cuja sua pasta é ligada ao INPE.
Eleições 2022
Ricardo Galvão se filiou a Rede Sustentabilidade em março deste ano para concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados em Brasília nas eleições de outubro deste ano.
Durante a entrevista à SP RIO+, Galvão disse que foi procurado por outros grandes partidos, incluindo diretórios do Vale do Paraíba, mas escolheu a Rede Sustentabilidade devido ao seu viés ambientalista.
Segundo ele, o partido encabeçado pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva possui o que ele chamou de “civilidade republicana”, que é um viés que não compactua com a polarização ideológica.