Um projeto da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em São José dos Campos criou uma calculadora especial que auxilia em cálculos para a redução de CO2 (gás carbônico) na atmosfera. O dispositivo, que em breve será disponibilizado ao público, foi concluído no final de julho e demorou quatro meses para ser desenvolvido.
Basicamente, a calculadora ajuda a dimensionar a área de plantio de bambu – espécie que absorve grande quantidade de CO2 – necessária para capturar determinada quantidade do gás estufa a ser compensada. O recurso foi elaborado para a disciplina Resolução de Problemas Via Modelagem Matemática, ministrada pelo professor Luiz Leduíno Sales Neto.
Plantação de bambu (Foto: James Lee/Unsplash)
Segundo o pesquisador Elias Barros Santos, que propôs o projeto, não há nenhuma ferramenta parecida disponível atualmente que utilize as plantas para a compensação de dióxido de carbono.
“Encontramos ferramentas similares, porém, com focos diferentes. Por exemplo, encontramos um site rico em informações de diversas espécies de flora e fauna brasileira, mas focado em aspectos biológicos. Encontramos ainda outras plataformas com foco na recomendação da espécie ideal de acordo com as condições do ambiente e cuidados exigidos”, afirma o pesquisador, que ainda conta com a participação dos estudantes da Unifesp Carlos César Minoru Imaniche, Daniel Meireles Meira e Jacqueline Komatzu Huayanca.
O grupo escolheu focar no plantio de bambu por ser pouco exigente com relação ao ambiente de cultivo (condições climáticas e de solo), o que se torna uma vantagem para o agricultor. Além disso, por ser uma planta que cresce rápido, o que a diferencia das demais no processo de fotossíntese, o bambu absorve maior quantidade de CO2, auxiliando no controle dos gases de efeito estufa na atmosfera.
“Trata-se de uma alternativa natural em comparação com algumas tecnologias artificiais com essa mesma finalidade, as quais consomem muita energia durante a sua produção, sendo um dos setores da economia de maior emissão de CO2. O bambu é uma excelente alternativa para a compensação de CO2 e, ao mesmo tempo, pode ser usado de forma mais consciente em diversos setores da economia”, explica Santos.
A partir da esquerda: professor Horácio Yanasse, Jacqueline Huayanca, professor Luiz Leduíno Sales Neto, Daniel Meira, Carlos Imaniche e professor Elias Barros Santos (Foto: divulgação)
Calcular redução de CO2? Não só isso!
Além do cálculo para o dimensionamento da área de bambu a ser plantada, a calculadora ainda pode ser usada para o auxílio na tomada de decisão, para o levantamento de potencial utilização do bambu para bens e consumo, simulações e também para o cadastro de outras espécies da planta. Esse cadastro das espécies, a propósito, é feito a partir de um formulário colaborativo.
Dessa forma, pesquisadores da área espalhados pelo país podem cadastrar espécies de bambus e enviar informações como tribo, gênero, taxa de sequestro de carbono, regiões de ocorrência da espécie e ainda dizer se ela é endêmica ou não.
Na mesma plataforma, foram elaborados painéis de indicadores com a situação atual e a projeção para 2023 da emissão e remoção de CO2 em São José. O objetivo principal é de expor o tamanho do desafio de sequestro de CO2 na região.
Para o desenvolvimento da calculadora foi utilizada uma plataforma gratuita do Google Data Studio com a finalidade de realizar painéis interativos e relatórios que inspiram decisões de negócios mais inteligentes. O usuário alimenta a ferramenta com dados como a quantidade de CO2 a ser compensada, seleção das espécies de bambu e a área disponível para plantio.
O dispositivo então devolve como resposta informações referentes à quantidade total de carbono no CO2, área necessária para compensação e quantidade de biomassa – recurso renovável vindo de maéria orgânica – estimada de bambu que será gerada para realizar todo o sequestro de CO2.
Além disso, ele compara a sua capacidade de área disponível para o plantio com a área necessária para a produção de bambu. Para facilitar a visualização e entendimento do espaço, a medida da área é convertida em campos de futebol.
Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se continuar a usar este site, assumiremos que está satisfeito com ele.