
Neste início de julho, mais precisamente no dia 3, se completaram 130 anos da existência oficial do jogo do bicho, considerado o sistema de loteria mais popular do Brasil. Após o seu primeiro sorteio, em 3 de julho de 1892, o jogo do bicho se espalhou pela cidade do Rio de Janeiro, conquistando toda a população.
Ele foi criado inicialmente como o ‘Jogo das Flores’, na Rua do Ouvidor, no Rio. Já a modalidade ‘Loteria de Números’ foi apresentada pelo mexicano Manuel Zevada ao Barão de Drummond para angariar recursos financeiros para o Jardim Zoológico – daí veio o ‘bicho’. Na época, o Barão comentou a preferência pelos bichos com o jornal Diário do Commércio: “Flores são lindas. Mas os animais são subúrbios do homem, nossos parentes”.
Desde então, ele virou um sucesso, com pessoas visitando o zoológico apenas para concorrer ao prêmio. A história narra que os bondes iam cheios para a Vila Isabel, principalmente aos domingos.
Até mesmo o presidente da época, o Marechal Floriano Peixoto, foi visitar o zoológico para conhecer o sorteio. Isso remete à popularidade que continua até hoje, já que mesmo com a proibição da modalidade em estabelecimentos físicos, há plataformas como o cassino que aceita cartão de crédito, que além de poker e caça-níqueis, por exemplo, também contam com o famosíssimo jogo do bicho. Esses sites têm sede fora do país e aceitam métodos de pagamento comuns por aqui, como o cartão de crédito e, muitas vezes, até mesmo o Pix, para trazer facilidades aos seus usuários, que ainda recebem bônus de boas vindas em seu primeiro acesso.
Proibição
E falando em proibição, o jogo do bicho criou inimigos pouco tempo depois da sua estreia. Em apenas 19 dias de operação, ele já tinha críticos que o acusavam de ser uma ameaça à moral pública.
Ressaltando que uma das razões para a modalidade ter ganhado tanta popularidade foi o fato de que permitia que pessoas apostassem pouco e se divertissem. Na época, a pobreza era grave, e pessoas com pouco dinheiro viam uma alternativa barata de entretenimento na atividade. Além disso, essa era uma das poucas atividades onde não se via distinção de classe, o que alimentava o interesse popular no século 20.
Mesmo assim, em 3 de outubro de 1941, se criou o Decreto-Lei nº 3.688 que transformou o jogo em contravenção penal, proibindo a sua prática. Contudo, na mesma época as apostas cresceram ainda mais, e este ano se completam 81 anos da proibição, mesmo que ela não tenha afetado a prática ilegal no Brasil.
Alguns anos depois da criação do Decreto-Lei, em 1958, o governador Roberto Silveira chegou a legalizar o jogo do bicho no estado do Rio de Janeiro – desde que as verbas geradas com a prática fossem repassadas para ações sociais. Porém, Jânio Quadros o proibiu novamente em seu governo.
Na década de 60, a Paraíba se tornou o único estado a permitir a prática. Quando o presidente Castelo Branco solicitou a proibição ao governador Pedro Gondim, o político recusou pois faltariam empregos para a população.
Legalização
Mesmo ilegal, é estimado que 20 milhões de pessoas façam uma fezinha diariamente no jogo do bicho. Por conta disso, especialistas e legisladores que apoiam a legalização acreditam que ela seria lucrativa para a sociedade e para o Estado, gerando empregos e criando uma atividade socialmente produtiva.
Em 2022, alguns políticos tomaram a iniciativa de finalmente buscar a regulamentação desta atividade tão presente nas tradições culturais do brasileiro. No dia 24 de fevereiro, a Câmara dos Deputados aprovou o PL 442/91, que busca legalizar não somente a modalidade, como também os cassinos, bingo e jogos online com sede no Brasil.