Foto: Divulgação
Sabe aquela dor que te incomoda há meses e não passa com nenhum remédio? Então, atenção porque você pode estar sofrendo de dor crônica, um problema que aflige milhares de pessoas e que na maioria das vezes pode ser incurável.
A dor é um alerta e é considerada como o quinto sinal vital, sendo que sua existência pode estar relacionada a aspectos físicos, mas também emocionais, isso porque viver diariamente com uma dor constante que, na maioria das vezes, não deixa você realizar as tarefas mais simples do dia a dia, o impedindo de ser produtivo em casa e no trabalho.
A dor crônica é um problema de ordem física, porém com um grande impacto emocional, como consequência pode inibir o convívio social e a busca por tratamento pode até mesmo gerar um problema financeiro.
Além disso, a dor crônica é caracterizada pela ocorrência de uma dor contínua, por mais de três meses de duração, e mesmo o uso de analgésicos é incapaz de aliviar, o pior é que ela pode ser, muitas vezes, incurável.
As pessoas que sofrem com a dor crônica ficam limitados em suas funções diárias e necessitam de cuidados constantes. A tendência é que com o passar do tempo fiquem debilitados e até depressivos. Geralmente, as causas da dor crônica são multifatoriais (podem ser causadas por vários motivos), por isso, o tratamento deve ser individualizado e de forma multidisciplinar.
O tratamento convencional é realizado a base de medicamentos, mas deve ser aliado a terapias complementares, como fisioterapia, acupuntura e suas derivações, bem como acompanhamento psicológico para o melhor enfrentamento da doença de base.
Novos tratamentos aplicados no intuito somar, e principalmente, de reduzir o uso de medicamentos estão sendo desenvolvidos e contribuindo para a melhora da qualidade de vida dos pacientes.
“Além de reduzir os fatores de efeitos adversos que estes pacientes enfrentam com o uso prologando e muitas vezes intenso de medicamentos, potencializamos as oportunidades de melhores resultados gerais no controle das crises dolorosas com tais procedimentos”, afirma o neurocirurgião Dr. Luiz Daniel Cetl, diretor da Clínica Enlevo.
Novos tratamentos proporcionam melhora na qualidade de vida
Um procedimento não-invasivo de destaque é o tratamento com ondas de choque, indicado para dores osteomusculares, articulares, fraturas (pseudoartrose – quando não há consolidação adequada da fratura).
“Esse procedimento é baseado no espalhamento de ondas de choque (impacto) por meios ricos em líquido (mesmo princípio da litotripsia usada na quebra de cálculos renais), promovendo uma “lesão” controlada que reduz o processo inflamatório local e um aumento de circulação local, a reestruturação das terminações nervosas terminais, que resultam na melhora da dor”, explica a anestesiologista, Dra. Atsuko Nakagami Cetl, especialista no tratamento da dor.
O que é a Dor Crônica?
De acordo com os especialistas, esse procedimento apresenta melhora importante na primeira sessão (em geral > 80%), com leve piora no dia subsequente, devido ao quadro inflamatório desencadeado pela onda de choque, seguida de recuperação progressiva com o alívio da dor.
Outro procedimento não-invasivo é o laserterapia, indicado para dores miofasciais, tendinites, lombalgias. É um tratamento realizado com aparelho manual, que geral um efeito anti-inflamatório e analgésico local e sistêmico (dependendo da aplicação). Com esse procedimento, o paciente apresenta melhora já na primeira sessão (em geral de pelo menos 50%).
Na linha dos procedimentos minimamente invasivos, a magnetoterapia está entre os mais aplicados para o relaxamento muscular e melhora da irrigação do tecido muscular.
“É um procedimento simples e indolor, que utiliza aparelho específico para magnetoterapia (campo magnético focalizado)”, explica Dr. Luiz Daniel.
Esse tratamento promove o alívio da dor, melhora a cicatrização (feridas de difícil fechamento) e melhora a dor pós-operatória.
“É usado também para dores musculares e articulares, além de pontos gatilho. Geralmente é utilizado em casos pós-operatórios de cirurgias ortopédicas para melhora da analgesia”, descreve Dra. Atsuko.
Brasileiros buscam medicamentos para a dor crônica
Recentemente a InterPlayers realizou um levantamento sobre a dor crõnica e a busca por tratamento, o resultado apontou que a procura de brasileiros por medicamentos para tratamento de dor crônica disparou no último ano.
Segundo a pesquisa somente entre fevereiro de 2021 e março de 2022, a procura aumento em média 109,53% em comparação com os doze meses anteriores. Se considerarmos apenas os meses de fevereiro e março, a alta foi de 142,96% em relação ao mesmo período de 2021. Ainda de acordo com a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor, ao menos 37% da população brasileira — cerca de 60 milhões de pessoas — relata viver sofrendo com a dor crônica.
Entre os relatos de casos mais comuns estão a cefaleia ou dor de cabeça. Também apareceram entre as mais citadas a hérnia de disco lombar, o reumatismo e a fibromialgia.
Os medicamentos indicados para dor crônica devem ser receitados exclusivamente pelos médicos de acordo com a intensidade, variando do grau leve para moderado e dor intensa, em avaliações individuais e específicas.