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Nesta quarta-feira (25), pela primeira vez em sua história, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou um levantamento com números sobre homossexuais e bissexuais no Brasil. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS): Orientação sexual autoidentificada da população adulta.
Coletados em 2019, os dados mostram que 1,2% da população (1,8 milhão de pessoas) declara-se homossexual – ou seja, tem atração por pessoas do mesmo sexo ou gênero – e 0,7% (1,1 milhão de pessoas) declara-se bissexual – quando possui atração por mais de um gênero ou sexo binário. No total, 2,9 milhões de pessoas com 18 anos ou mais se declaram lésbicas, gays ou bissexuais no país.
Na pesquisa, 1,7 milhão de pessoas disseram não saber responder à questão e 3,6 milhões recusaram-se a responder. De acordo com o IBGE, cerca de 100 mil pessoas ainda afirmaram se identificar com outras orientações, na maioria das vezes como pansexual – pessoa cujo gênero e sexo não são fatores determinantes na atração – ou assexual – pessoa que não tem atração sexual.
Idade, escolaridade e região
Segundo o IBGE, a população de homossexuais ou bissexuais é maior entre os que têm nível superior (3,2%), maior renda (3,5%) e idade entre 18 e 29 anos (4,8%). Em relação às regiões, o Sudeste registra o maior percentual, 2,1%, enquanto o Nordeste tem a menor, 1,5%.
Consideradas apenas as mulheres brasileiras, 0,9% declara-se lésbica e 0,8%, bissexual. Tratando apenas dos homens, 1,4% declaram-se gays e 0,5%, bissexuais. Tanto entre homens quanto entre mulheres, 1,1% disseram não saber e 2,3% recusaram-se a responder. A maioria, em ambos os grupos, declara-se heterossexual.
De acordo com o estudo, os resultados obtidos no Brasil foram semelhante ao de outros países, em especial aos sul-americanos. Na Colômbia, por exemplo, 1,2% da população se autodeclara homossexual ou bissexual; no Chile, essa proporção chega a 1,8%.
Preconceito e possível subnotificação
Segundo o IBGE, o número de lésbicas, gays e bissexuais registrado na pesquisa pode estar subnotificado. O instituto aponta principalmente o estigma e o preconceito por parte da sociedade como fatores que podem fazer com que as pessoas não se sintam seguras em declarar a própria orientação sexual.
“A gente não está afirmando que existem 2,9 milhões de homossexuais ou bissexuais no Brasil. A gente está afirmando que 2,9 milhões de homossexuais e bissexuais se sentiram confortáveis para se autoidentificar ao IBGE como tal”, diz a analista da PNS Nayara Gomes.
Outro fator apontado para a subnotificação é a falta de familiaridade com os termos usados na pesquisa. “A gente ainda precisa percorrer um caminho com várias iniciativas de campanha, de sensibilização. Quanto mais perguntarmos, mais as pessoas vão se acostumar e é esse caminho que a gente pretende seguir. Temos alguns desafios”, complementa Nayara.
No Brasil, a homofobia segue como questão a ser discutida. De acordo com o Relatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil ocorridas em 2021, do Grupo Gay da Bahia, 300 LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, entre outros) sofreram morte violenta no país em 2021, número que representa 8% a mais do que no ano anterior, sendo 276 homicídios e 24 suicídios.