
Na visão de Felicio Ramuth (PSD), ex-prefeito de São José dos Campos e pré-candidato ao Governo de São Paulo, a Cracolândia é um desafio que deve ser gerido pelo próximo governador como o trabalho de um maestro, coordenando diferentes pessoas aptas a lidar com o problema a um único caminho.
Em entrevista à SP RIO+ nesta terça-feira (10), o político afirmou que “o que a gente vê lá é várias pessoas bem- intencionadas remando cada uma para um lado”. Para Felicio, a primeira iniciativa a fim de tentar solucionar o problema da Cracolândia é integrar todos os grupos com disposição pra resolver a questão – nesses ele cita organizações sociais e igrejas. Caso eleito, contou que essa será uma das suas primeiras atividades a serem feitas, ainda nos primeiros dias de governo.
O pré-candidato disse ainda que, dentro da temática envolvendo a Cracolândia, recebe questionamentos sobre a internação compulsória, a qual não descarta. Para ele, é justamente aí que entra o trabalho das organizações engajadas em conjunto. “Este grupo vai ter que definir, inclusive, casos em que seja necessária a internação compulsória. Pode ser. Mas quem vai ter que definir isso é esse time de pessoas que vai estar cuidando dessa gente, aí todas as ações são válidas”.
Ação policial nesta quarta-feira

Na madrugada desta quarta-feira (11), as polícias Civil e Militar, a Guarda Civil Metropolitana e funcionários da Prefeitura de São Paulo realizaram uma operação conjunta contra o tráfico de drogas na praça Princesa Isabel, na região central da capital, apontado como o novo local da Cracolândia.
Segundo a polícia, o propósito da operação era cumprir 36 mandados de prisão e retirar da região as barracas de usuários de drogas. Durante a manhã, 20 pessoas foram detidas e conduzidas para a delegacia da Santa Cecília. Os agentes presentes no local também apreenderam drogas como maconha, crack e cocaína além de uma balança e cadernos com anotações.
Habitação
Outro ponto destacado por Felicio na entrevista foi sobre o desafio da habitação no estado. Na visão do ex-prefeito, a população não deve mais receber títulos de propriedade das unidades habitacionais, mas sim “usufruir pela vida toda” dos imóveis, que passariam a ser locados pelo Governo Estadual por meio das construtoras.
“É a era do compartilhamento de recursos. O jovem não quer mais ter um carro, ele quer usar um carro. Eles não querem ter uma casa na praia, eles querem poder usar.”
Para Ramuth, o modelo representa uma suposta segurança das famílias em terem uma casa própria para morar pro o resto da vida mas sem sua propriedade. Além disso, o político sustenta que este novo molde ajudará a atenuar outros dois outros pontos problemáticos na atualidade: as filas de espera pelas habitações e o domínio do tráfico nesses conjuntos habitacionais.
“Se você eliminar a fraude, que são as pessoas que querem ter este patrimônio para poder botar no Mercado Livre no dia seguinte, pra vender para outro, a gente já consegue cortar 30% da fila no estado inteiro”, ponderou.
Já sobre a instalação do tráfico nos conjuntos, disse que, com uma gestão privada, normas, e moradores que não são donos de suas moradias, eventuais problemas seriam resolvidos de forma simples.
“Lamentavelmente muito desses conjuntos acabam sendo dominados pelo tráfico, aí criam verdadeiros condomínios fechados onde eles podem exercer suas atividades. Com esse tipo de modalidade você tem regras que são cobradas pelos próprios gestores, que é a iniciativa privada, e se aquele morador não cumprir aquela regra, como ele não é proprietário daquele imóvel, ele vai ser obrigado a se retirar daquele local”.