
Com 67 meses de atraso, o equivalente a mais de 5 anos, o AME Taubaté foi finalmente inaugurado (Ambulatório Médico de Especialidades).
A cerimônia de abertura desta quarta-feira (30) contou com a presença de vereadores da cidade, do prefeito José Saud (MDB) e do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O evento foi marcado pelo desentendimento entre o governador e o vereador Alberto Barreto (PRTB), que se opôs à vacina Coronavac (vídeo abaixo).
Neste primeiro momento, a unidade vai atender somente a urologia, a oftalmologia e a cirurgia plástica, especialidades que já estavam funcionando desde o dia 14 de fevereiro.
O novo espaço tem o objetivo de receber não apenas a população de Taubaté, mas de 10 cidades do Vale Paraíba. Segundo o prefeito José Saud, isso fará com que os taubateanos deixem de utilizar as unidades médico-hospitalares das cidades vizinhas, como São José dos Campos.
“Em torno de 620 mil habitantes nestas 10 cidades. São José não está neste contexto. Nós é que utilizávamos São José dos Campos, Caraguá ou Lorena. Aqui não, aqui a gente vai atender São Luiz, Natividade, Redenção, Lagoinha, nós vamos atender Campos do Jordão, as cidades lá de cima. Esse grupo de 10 cidades mais próximas”, destacou o prefeito durante entrevista à SP RIO+.
Outras especialidades do AME Taubaté
Segundo o secretário de saúde do estado, Jean Gorinchteyn, a previsão é que o AME Taubaté inicie o atendimento das outras 26 especialidades até setembro deste ano.
“À medida que o ambulatório também vai se ampliando, isso seguramente vai atender e acolher outras demandas para a região com muita qualidade e um tratamento digno para todos. Até setembro nós teremos essas 26 especialidades integralmente dando sua assistência nesta unidade”, disse.
Durante coletiva de imprensa, João Doria afirmou que as novas especialidades serão acrescentadas mês a mês.
“Vão se acrescendo especialidades. É assim que funciona em um centro hospitalar, em um centro médico. Ele sempre em evolução para garantir um bom atendimento à população. Então a cada mês você vai tendo um acréscimo de mais especialidades. E a prioridade são as especialidades que tem a maior demanda para a população. Você vai da maior até a menor”, garantiu o governador.

Atraso
Doria também comentou sobre o atraso da obra, que foi iniciada em agosto de 2015 e tinha a previsão de ser finalizada em 2016. O orçamento inicial era de R$ 10,4 milhões, mas o valor final subiu mais de R$4 milhões.
“Foram R$14,3 o investimento do Governo do Estado nesta AME e agora também a parte operacional junto com Prefeitura de Taubaté. Eu não fico aqui fazendo criticas a quem me antecedeu e porque não fez. Isso deveria ter sido inaugurado há bastante tempo, antes mesmo da nossa gestão. Mas nós investimos tempo para viabilizar aquilo que era necessário e concluir as obras, como agora, a AME especialidades aqui de Taubaté; e o Lucy Montoro, que até julho estará sendo estregue”.
Discussão
O evento foi marcado pelo desentendimento entre o governador João Doria e o vereador Alberto Barreto (PRTB), que gritou críticas contra a vacina do Instituto Butantan ao dizer que ela seria a “pior vacina”.
(Veja o vídeo completo da discussão abaixo)
Em resposta, Doria levantou a voz, o chamou de “bobão” e mandou ele ir “engraxar a bota do Bolsonaro”.
“Por que você veio aqui, rapaz? Vai para sua casa, vai engraxar a bota do Bolsonaro, do negacionista do Bolsonaro, seu bobão. Seu bobo”, disse o governador, ao sugerir uma vaia contra o vereador.
“A vacina que salvou milhões de brasileiros, que talvez tenha salvado a sua mãe, seu pai, as pessoas da sua família. […] E que agora está salvando bilhões de crianças de 5 a 11 anos. Essa é a vacina do Butantan. Aqui, seu cidadão de nada, São Paulo não é a terra da cloroquina. Olha aqui para mim, rapaz. Tenha a coragem de olhar para mim”.
Em seguida, Doria mencionou mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro (PL), que durante a pandemia defendeu fortemente o uso da hidroxicloroquina no tratamento contra a doença, mesmo contra as orientações dos especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Aqui não é terra de Bolsonaro não. Aqui é a terra da vacina, da vida, das pessoas que amam a vida, das pessoas que amam a oração, que tem Jesus e que tem Cristo no coração”, disse Doria.
O manifestante contra a vacina é o vereador de Taubaté, Alberto Barreto (PRTB), que diversas vezes já se posicionou em público contra a eficácia da vacina do Instituto Butantan.
Em nota enviada à SP RIO+, o vereador disse que se baseou em dados que ele mesmo pediu à Secretaria de Saúde de Taubaté. Confira a nota na íntegra:
“A minha manifestação no evento foi no sentido de deixar claro que a vacina do Butantan é a que tem pior resultado entre todos os imunizantes. Falo isso com base nos dados da Secretaria de Saúde de Taubaté, a qual, em resposta a meu requerimento, informou que das pessoas vacinadas que morreram de Covid, 62% eram “imunizadas” com Coronavac. Além disso, os dados apontam que o maior número de pessoas vacinadas internadas em UTI e enfermaria por Covid são pessoas “imunizadas” com Coronavac”, diz a nota.
Depois da cerimônia, o secretário de saúde do estado lamentou à SP RIO+ a manifestação do vereador.
“É lamentável, principalmente uma vacina que tanto protege a população. Foi essa vacina, especialmente a Coronavac, que reduziu o impacto de mortes tanto da nossa população de idosos, como dos profissionais da saúde, da qual eu me incluo. Hoje, se nós estamos retomando as aulas e protegendo as nossas unidades de terapia intensiva e pediátrica, é porque esta vacina foi importante”, destacou Jean Gorinchteyn.
Confira o desentimento na íntegra: