
São José dos Campos está prestes a se tornar a primeira cidade do Brasil a ter a frota do transporte público 100% elétrica. A informação foi confirmada na manhã desta quinta-feira (3), em coletiva de imprensa realizada pela Prefeitura no auditório do Paço Municipal.
Dentre as diversas novidades anunciadas, segundo o prefeito Felício Ramuth (PSD), estão o aumento da frota e do conforto nos veículos.
“São 350 veículos que aumentam ainda a frota neste primeiro momento, com ar-condicionado, carregador para o celular, Wi-Fi, enfim, todo o conforto que a população merece e quer; além do aumento do número de linhas, do aumento do número de horários à disposição. Veículos maiores, todos veículos que a gente chama “padron”. Veículos com 13 metros aproximadamente de comprimento, o que vai permitir mais conforto para a população e sustentabilidade. Sem poluição ambiental e sem poluição sonora”, explicou o prefeito à SP RIO+.
Segundo o prefeito, a frota poderá chegar a 437 ônibus, todos zero quilômetros.

Mudanças na operação da frota
O novo formato do transporte público também altera a operação da frota. Atualmente, o sistema é operado por três concessionárias, que, juntas, formam o Consórcio 123, que deixará de existir.
O Grupo Itapemirim, que havia vencido a licitação para operar o novo transporte público na cidade, teve seu contrato rescindido pela Prefeitura, que constatou que a empresa descumpriu um prazo do contrato ao não apresentar a garantia de compra dos coletivos.
Agora, com o formato anunciado nesta quinta-feira, a Urbam fica responsável pela infraestrutura, por prover a frota, pela gestão financeira, pelos meios de pagamento e pela garantia de qualidade do serviço.
A Secretaria de Mobilidade, por sua vez, segue sendo a responsável pelo serviço, relacionamento direto, controles, equilíbrio da oferta e demanda, fontes orçamentárias e pela gestão operacional, que será feita por uma empresa contratada por licitação, que deverá fornecer funcionários para dirigir e operar os ônibus.
“Nós teremos uma empresa que será a responsável pela operação. Ela que vai operar esses veículos. Portanto, a mão de obra pode ser, inclusive, as empresas que já estão hoje na cidade. Mas elas só farão só a operação. Então isso, num segundo momento, no edital da operação, isso será divulgado”, explicou Felício Ramuth.
Novas linhas
Outra mudança anunciada pela Prefeitura tem o objetivo de resolver um dos principais pedidos da população: o aumento das linhas de ônibus. Junto ao novo modelo, a meta é acrescentar novas rotas e também aprimorar as já existentes.
Segundo o secretário de mobilidade urbana, Paulo Guimarães, já existem algumas novas linhas pré-definidas.
“No novo sistema, a gente tem uma grande diferenciação do que a gente tem hoje. Então, por exemplo, a gente tem linhas diametrais, que fazem a ligação de uma região a outra sem passar pelo Centro. Vou te dar um exemplo que é uma linha bastante pedida e que vai ser bastante interessante no novo sistema: a ligação do Campos de São José com a região do Putim. Essa é uma linha que não existe hoje e que está prevista agora no novo sistema”, explicou o secretário, também em entrevista à SP RIO+.
Segundo Paulo, o novo modelo representa um aumento de mais de 40% da cobertura e da oferta do transporte público em São José.
O secretário também garantiu que a Prefeitura não pretende diminuir o número de itinerários já existentes.
Previsão
A previsão para o início deste novo modelo é outubro deste ano, quando termina o contrato das atuais operadoras da cidade.
Em entrevista à SP RIO+, o vice-prefeito Anderson Farias (PSD) disse que existe a possibilidade desse novo modelo entrar em vigor antes.
“Os contratos que têm vencimento em outubro, que são os contratos vigentes, eles já têm uma cláusula resolutiva que já diz do seu possível encerramento anterior ao seu vencimento. Então sim, é possível. Isso já é previsto nos contratos vigentes, que quando foram prorrogados, eles já têm, já constam essa clausula resolutiva. Se todo o processo estiver pronto, veículos alugados, toda a equipe montada, enfim, todo o sistema estruturado, aí sim é só marcar a data, fazer a transição entre as empresas novas e as empresas que hoje operam”, explicou.
Funcionários
A mudança agrada os funcionários do atual modelo. Entretanto, para o diretor do Sindicato dos Condutores de São José dos Campos, José Carlos de Souza, o medo da categoria é apenas a instabilidade de seus empregos.
“É importante uma coisa moderna, mas nós focamos no seguinte: um transporte público de qualidade, mas nós queremos a garantia do emprego de todos os trabalhadores. Somos 1500 pais e mães de família, cobradores, motoristas, pessoal da manutenção… enfim, todos os funcionários somam 1500”, disse.
Para o prefeito Felício, essa questão já está resolvida e os atuais funcionários não devem enfrentar muitos problemas durante essa transição.
“É natural que uma empresa, quando entra, se for uma empresa nova, assuma a mão de obra. Assim aconteceu 12 anos atrás. Então o que existe sim é uma demanda necessária para esse novo sistema de transporte público e com certeza os atuais motoristas terão preferência. Até porque se eu fosse um empresário eu iria querer contratar alguém que já tem experiência. Mas isso não pode estar no edital. Legalmente, isso não pode estar no edital”, explicou o prefeito à SP RIO+.