
O professor Moacir Santos classificou como “bastante preocupante” a ausência de um posicionamento mais assertivo do governo federal sobre o conflito na Ucrânia.
Em entrevista à SP RIO+, o mestre e doutor em história e ex-diretor do Instituto Básico de Humanidades da UNITAU, Universidade de Taubaté, comentou que a falta de um posicionamento irá refletir em uma imagem negativa para o Brasil.
“Sem assumir uma posição firme e bastante objetiva em relação ao conflito, vai pairar sobre o Brasil essa imagem de um país que endossa – ainda que tacitamente – as ações do Estado russo”, disse o professor.
Publicamente, o presidente Jair Bolsonaro (PL) apareceu em duas oportunidades nesta quinta-feira; porém em nenhum desses momentos se pronunciou à respeito da invasão russa à Ucrânia.
“É bastante preocupante essa falta de assertividade do Estado brasileiro e do Governo brasileiro, não só neste momento em que o conflito já se iniciou, mas inclusive nas últimas semanas”, revelou Moacir.
Na semana passada, em meio à crescente hostilidade no Leste Europeu, o presidente Jair Bolsonaro esteve se reunindo com o líder russo Putin, em uma agenda marcada há meses, mas que não foi desmarcada pelo governo brasileiro. Um fator que, para o professor Moacir, foi um erro.
“Aquilo que foi negociado há alguns dias na Rússia poderia ter sido feito na escala da chancelaria ou por ministros, sem exatamente a exposição da presidência da república brasileira”, disse.
O professor Moacir recorda que o Brasil sempre exerceu uma diplomacia profissional, exercendo um papel de moderação internacional. “O atual governo abandonou esse papel.”
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Na habitual transmissão que faz semanalmente, Bolsonaro criticou o vice-presidente Hamilton Mourão por ter se posicionado contrário a invasão na Ucrânia.
Ao ler a notícia publicada pelo portal g1, o presidente disse que falar sobre o assunto não é da competência do vice-presidente ao citar o artigo 84 da Constituição Federal. Assista ao vídeo aqui.
“Quem fala dessas questões chama-se Jair Messias Bolsonaro e quem têm dúvida disso, basta procurar lá na nossa Constituição”, disse Bolsonaro na live.
Enquanto vários líderes de democracias em todo o mundo condenaram a ação de presidente russo Vladimir Putin contra o território da Ucrânia, o governo brasileiro optou por um tom mais brando em uma nota oficial emitida pelo Itamaraty.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que acompanha, “com grave preocupação”, a deflagração de operações militares da Rússia contra alvos no território da Ucrânia.
“O Brasil apela à suspensão imediata das hostilidades e ao início de negociações conducentes a uma solução diplomática para a questão, com base nos Acordos de Minsk e que leve em conta os legítimos interesses de segurança de todas as partes envolvidas e a proteção da população civil”, diz a nota.

