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O pré-candidato ao governo de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), não se mostrou preocupado com a possível concorrência do prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth (PSD), ao Palácio dos Bandeirantes.
Em entrevista à SP RIO+ durante o jornal Abre Aspas desta segunda-feira (21), Boulos não quis fazer um julgamento sobre a atual gestão do prefeito, mas garantiu que essa eventual candidatura compromete mais o campo da direita paulista.
“Eu não tenho propriedade para fazer um julgamento sobre o governo dele aí em São José dos Campos. Não o conheço pessoalmente e não conheço, com detalhes suficientes, a gestão dele. Agora isso é mais um elemento, se a gente for pensar o xadrez eleitoral, isso é mais um elemento da divisão de um campo – vamos chamar – de centro-direita e direita no estado de São Paulo”, enfatizou.
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Para o pessolista, Ramuth pode comprometer outros candidatos.
“Felicio Ramuth… de quem ele tira voto? Vamos pensar, pragmaticamente, ele tira voto do Rodrigo Garcia. Ele tira voto, eventualmente, do Tarcísio de Freitas. Então, isso também congestiona mais o lado da direita nas eleições”.
Este cenário deixa Boulos otimista. Segundo ele, o momento é de ascensão da esquerda.
“Nós temos um cenário ainda de muita indefinição, mas que eu vejo com otimismo. Vejo uma perspectiva que nunca houve. Se olharmos, inclusive, desde a redemocratização, eu não tenho notícia de que há seis meses das eleições estaduais; em algum momento, a esquerda – somados todos os candidatos da esquerda – estivessem liderando com folga a corrida ao governo do estado de São Paulo”, disse.
Felício Ramuth ainda não é oficialmente pré-candidato ao governo estadual, mas está em fase de reflexão sobre a decisão, depois de ter recebido o convite do presidente de seu partido, Gilberto Kassab.
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Caso Pinheirinho
Durante a entrevista à SP RIO+, Boulos relembrou o caso do despejo da comunidade do Pinheirinho, que aconteceu em São José dos Campos em 2012.
“Eu estive no despejo de Pinheirinho, inclusive fui detido no dia. Respondo até hoje, veja você, a um processo. Processo judicial nunca é uma coisa boa, mas tem aqueles que a gente se orgulha. Eu me orgulho de ter estado ao lado dos moradores de pinheiro de São José dos Campos. Para mim é o lado certo da história. Presenciei cenas muito tristes que eu não gostaria de voltar a ver”, relembrou.
Boulos aproveitou para apontar os responsáveis por aquilo que ele chamou de “barbárie”.
“Ali foi uma barbárie e teve responsáveis. E foi o então prefeito Eduardo Cury, o então governador Geraldo Alckmin e a juíza de São José dos Campos, que atuaram de uma forma intransigente para defender os interesses do senhor Naji Narras. Aliás, quem mora em São José sabe disso, que o terreno onde as pessoas moravam, no Pinheirinho, mais de 2 ou 3 mil pessoas, está vazio. Do mesmo jeito que foi deixado após o despejo 10 anos atrás”.
Propostas
Ainda durante a entrevista, Boulos comentou sobre suas propostas e sobre o que fará para evitar situações como essa, caso seja eleito governador de São Paulo.
“Nós precisamos ter uma política de prevenção de despejos forçados, de regularização fundiária e uma política habitacional ousada no estado de São Paulo. […] Nós precisamos retomar uma política habitacional com investimento público para atender aqueles que mais precisam. São centenas de milhares de pessoas, mais de um milhão de pessoas no estado de São Paulo que estão numa situação precária de moradia. O estado não pode lavar as mãos, ou pior, tratar isso como se fosse caso de polícia”, explicou.
Para ele, trata-se de uma política emergencial.
“Uma coisa é você fazer política de habitação de forma geral, para milhões de pessoas que precisam. Outra coisa é você ter uma política emergencial para dar alternativa as pessoas que estão debaixo de uma ponte, que estão jogadas numa calçada, que estão renegadas a um estado de desumanidade”, defendeu.
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Confira a entrevista na íntegra: