
Após 2 anos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar a venda em farmácias de medicamentos à base de cannabis, congresso e judiciário ainda não conseguem definir um entendimento conjunto sobre a questão e agilizar o processo de importação de novos produtos mrdicinais à base de uma substância.
Para a doutora Maria Teresa Jacob, médica especialista na medicina canabinoide, os entraves se devem a criminalização da cannabis pelo uso da maconha por anos aqui no Brasil.
“Cannabis é uma planta só, mas existem variedades diferentes. A que é usada para fins recreativos possui altas concentrações de THC, que é o canabinoide, que também atua no sistema nervoso central, porém é o responsável pelos efeitos psicodislépticos (alucinações visuais e auditivas) e podem induzir ao uso indevido da substância”, explica.
A especialista explica que a cannabis medicinal é originária da mesma planta, porém com cepas diferentes.
“…a concentração é muito menor de THC e ela é balanceada pela presença do CBD [canabidiol]. Para algumas patologias, precisamos usar THC; ele não é proscrito da prescrição médica”, revela.
A médica, que atua no tratamento de dor crônica desde 1992, ressalta que cannabis medicinal pode auxiliar nos tratamentos para doenças como esclerose múltipla, depressão e fibromialgia.
“Em todos esses casos, é importante você ter o THC – em alguns até uma concentração um pouco maior -, porém essas concentrações são infinitamente menores do que no usado na maconha para fim recreativo”, reforça.
A doutora ressalta que o uso medicinal da maconha deve ser utilizado de acordo com orientações de profissionais, principalmente diante da pandemia de Covid-19.
“O medo que nós temos, como profissionais médicos, é que as pessoas comecem a utilizar tanto óleos de cannabis, que não sabemos a procedência quanto a cannabis de uso recreativo para tentar prevenir o Covid… nós temos que ser cautelosos e criteriosos nessas escolhas”, orienta.
Assista a entrevista na íntegra: