
Cerca de 500 pessoas, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, participaram de um ato recordando os 10 anos da desocupação do Pinheirinho em São José dos Campos.
Representantes de entidades sindicais, partidos políticos, ocupações, movimentos sociais, artistas e ex-moradores estiveram entre os participantes do ato que se concentrou nas duas faixas da Estrada do Imperador.
A manifestação foi realizada em frente ao terreno da antiga ocupação, que está abandonado. Toninho Ferreira, advogado que acompanhou as famílias e presidente do PSTU em São José dos Campos, abriu o ato ressaltando um dos reais motivos por trás da desocupação.
“Aqui demonstramos que a população pobre sabe e pode fazer sua própria vida e ser dona de seu próprio futuro, e a elite brasileira não suporta isso. A gente fazia mobilizações pela luta geral do povo e pelas questões gerais do país. É isso que eles não podem suportar: a consciência da população civil”, disse Toninho.
Nas falas dos representantes de partidos, movimentos e sindicatos, foi evidenciada a violência do Estado contra os mais pobres, além de relacionarem com o atual momento da política nacional.
“Estamos diante de um governo de ultradireita, que ataca a classe trabalhadora e o povo pobre. Vivemos um cenário de pandemia, crise social e sanitária, enquanto aumenta o número de bilionários no mundo. Aqui no nosso país, vemos a precarização da nossa classe, a inflação ampla, o povo passando fome e o desemprego. A única alternativa para derrotar o governo Bolsonaro é a unidade operária e popular”, afirmou o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.
Histórico
No dia 22 de janeiro de 2012, a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiu a ocupação de forma truculenta, com a presença de dois mil soldados, para retirar as 1.800 famílias que ocupavam o terreno da massa falida da empresa Selecta, uma área de mais de 1 milhão de metros quadrados abandonada na zona sul da cidade.
Na megaoperação, a PM, sob a ordem da juíza Márcia Loureiro, acordou os moradores ainda de madrugada com carros blindados, helicópteros, cães farejadores, balas de borracha, sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e cavalaria.
Duas pessoas morreram e nove mil ficaram desabrigadas, em um verdadeiro caos social para a cidade, durante a gestão do então prefeito Eduardo Cury e do ex-governador Geraldo Alckmin (ambos do PSDB na época).
Quase 5 anos se passaram e as moradias prometidas, durante a desocupação violenta, começaram a sair do papel. Batizado pelos moradores de Conjunto Habitacional Pinheirinho dos Palmares, o bairro foi construído na periferia, na região do Putim, a 15 quilômetros do centro de São José.
“O gasto para desocupar e pagar o auxílio-aluguel e construir as residências foi muito superior ao valor que seria usado se tivessem regularizado a ocupação. Fizeram a desocupação ilegal e violenta para retirar das mãos do povo o controle da luta por moradia, mas não conseguiram. Isso gerou ainda mais resistência. A chama com certeza bate no coração de várias ocupações pelo Brasil”, explicou Luiz Carlos Prates, o Mancha, dirigente da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.
Atualmente, a região que pertencente ao megaespeculador imobiliário Naji Nahas, continua abandonada.
“Dez anos atrás, a polícia do governador Alckmin passou com trator por cima da casa das pessoas alegando que esse terreno teria uma destinação mais nobre. São dez anos desse terreno virando mato. É dessa forma que se acumulam as fortunas dessa sociedade. O Naji Nahas está muito mais rico hoje do que era naquele momento. Essa riqueza se constrói com a destruição de tudo aquilo que a classe trabalhadora tem”, destacou Zé Maria, presidente nacional do PSTU.
“Se existe despejo, se existe desocupação violenta, é porque existe capitalismo. Se existe miséria e pobreza, é por conta desse sistema. A única forma de acabar com a pobreza, de garantir terra, reforma agrária e teto é construindo uma sociedade mais justa e igualitária, uma sociedade socialista, para libertar o povo pobre do sistema capitalista. O Sindicato dos Metalúrgicos sempre estará ao lado do povo nessa luta”, afirmou Weller Gonçalves, presidente do Sindicato.






