
O presidente Jair Bolsonaro se filiou ao PL na manhã desta terça-feira, 30, com a presença do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e de integrantes do governo. O ‘casamento’ com o Partido Liberal concretizou-se após dois anos sem estar filiado a um partido.
Bolsonaro foi eleito presidente pelo PSL em 2018 e deixou o partido em 2019, em meio a divergências com a cúpula da legenda. Na ocasião, chegou a articular a criação de um novo partido, a Aliança Pelo Brasil, que não passou da fase de coleta de assinaturas.
Considerado uma das legendas do centrão, grupo de parlamentares no Congresso sem uma corrente ideológica definida, o PL será o nono partido de Bolsonaro desde que Bolsonaro iniciou a sua carreira política, no fim da década de 1980.
Em três décadas, o atual presidente passou por PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP, PSC e PSL.
Além de Bolsonaro, também se filiou ao partido o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente. Será a quarta legenda do senador, eleito pelo PSL em 2018.

Com envolvimentos no escândalo do Mensalão em 2005 até mudanças de posicionamentos no relacionamento com os presidentes ao longo das décadas, o PL se reformulou depois da união em 2006 com o Prona, Partido da Reedificação da Ordem Nacional, sigla liderada por Enéas Carneiro.
O partido já apoiou Ciro Gomes, à época no PPS, em 1998, além de ter José Alencar como candidato a vice-presidente na chapa do ex-presidente Lula (PT) em 2002, que acabou eleita. Em 2010, o PL aliou-se a ex-presidente Dilma Rousseff apoiando a candidaturas dela naquele ano e também em 2014, em ambas com vitória petista; além de já ter participado da coligação de Geraldo Alckmin (PSDB) em 2018.
Desentendimento com o Vice-presidente da Câmara
A filiação de Jair Bolsonaro não teve 100% de adesão por parte da alta cúpula do PL. Quem discordou da presença do presidente da república no partido foi o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM).
Nas últimas semanas, Ramos têm demonstrado publicamente o descontentamento com a filiação de Bolsonaro ao PL. Marcelo Ramos disse que esse movimento poderia até até ser melhor para a sua reeleição como deputado, mas considera “o futuro de um país mais importante que a eleição”.
A saída de Marcelo Ramos do PL é dada como certa, porém não há informações para qual partido ele se filiaria.
Nos bastidores, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, busca uma solução ‘amigável’ para a saída de Marcelo Ramos do PL.