
Os metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos aprovaram, na última semana, um acordo para implantação de layoff na fábrica devido à crise mundial de semicondutores. Em entrevista à SP RIO+ nesta quinta-feira (4), Ricardo Almeida, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, afirmou que a entidade vê essa crise com “bastante preocupação” e defendeu a estabilidade dos empregos.
“É uma crise global. Porém, precisamos achar alternativas para manutenção dos postos de trabalho. Os trabalhadores não podem perder emprego por causa dessa crise dos semicondutores”, disse Ricardo.
Segundo o secretário do sindicato, todo acordo de flexibilização teve como foco a estabilidade no emprego e garantiu que, na General Motors, “não se fala em demissões na fábrica por um período mínimo de 10 meses”. A fábrica de São José dos Campos vai continuar produzindo, no primeiro turno, os carros S10 e Trailblazer.
Os 700 trabalhadores com o contrato suspenso devem ficar em casa por 5 meses, tempo que pode ser prorrogado por mais 5 meses. Durante o período de suspensão, será garantido 100% do salário líquido e o pagamento do FGTS. O regime de layoff prevê que uma parte dos salários seja paga com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).
“Uma decisão que a General Motors tomou aqui no Brasil: como aqui [São José] produz os principais carros, com o maior valor agregado, todos os semicondutores que conseguiram, foram destinados para São José dos Campos”, declarou.
Crise dos semicondutores
A indústria automotiva tem sido impactada globalmente pelas paradas de produção durante a pandemia. De acordo com o jornalista Guido Orlando Júnior, no período de confinamento, a venda de semicondutores para as montadoras caiu drasticamente.
Paralelamente, subiu a demanda de empresas de eletroeletrônicos, como celulares e notebooks, devido ao trabalho remoto. Com a recuperação do mercado, as montadoras estão no “fim da fila” para comprar semicondutores, que estão se esgotando com os eletroeletrônicos.