Foto: Agência Câmara
Representante do Vale do Paraíba, o deputado federal Eduardo Cury (PSDB) falou em entrevista à SP RIO+ nesta quinta-feira (19) os motivos pelos quais votou contra as Propostas de Emenda Constitucional (PEC) do voto impresso e da reforma eleitoral. O parlamentar classificou o voto impresso como “cortina de fumaça”.
A Câmara dos Deputados rejeitou e arquivou a PEC que propunha o voto impresso no último dia 10 de agosto. O texto elaborado pela deputada Bia Kicis (PSL-DF) precisava de, no mínimo, 308 votos, mas só conseguiu o apoio de 229 deputados.
De acordo com Eduardo Cury, a proposta era uma “cortina de fumaça”, porque os próprios ministros do governo Bolsonaro pediram votos para que a PEC fosse derrotada.
“Os dois partidos que têm ministros de articulação política, que são o PP [Partido Progressista] e o PL [Partido Liberal], ligaram para os deputados e pediram para votar contra o voto impresso. Ou seja, o objetivo não era aprovar a reforma, era criar uma cortina de fumaça para que a população se distraísse”, afirmou Cury.
O motivo desta “distração”, segundo o deputado, seria para aprovar medidas como o aumento do fundo eleitoral, o retorno do chamado Distritão e para aprovar um aumento “brutal” do Imposto de Renda. As duas últimas propostas não obtiveram sucesso.
“Eu sou a favor do voto auditável desde 2015, eu tinha votado a favor e continuo defendendo. Apoio o movimento dos veteranos do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), que tem um modelo de voto auditável impresso eletronicamente, eu considero perfeito. O que foi votado não era isso. Era o voto impresso antigo, contado na mão”, destacou o deputado.
De acordo com Cury, o modelo que estava sendo votado causaria um problema nas eleições. “Você vai ter que abrir a urna e cada partido vai ter direito a um fiscal, então cada sala de aula vai ter 35 fiscais. Basta um rasgar um voto que acabou, aquela urna vai ficar inutilizada”, disse.
PEC da Reforma Eleitoral
A Câmara dos Deputados aprovou no dia 17 de agosto a PEC da Reforma Eleitoral em segundo turno. O texto previa a adoção do sistema distrital (majoritário) para a eleição de parlamentares. Atualmente o país segue o modelo proporcional.
No entanto, o Distritão não foi aprovado. Ao invés disso, a PEC aprovou a volta das coligações após quatro anos de extinção. Em 2022, aconteceria o primeiro ano de eleições presidenciais sem a presença das coligações.
“O Distritão e uma excrescência. Esse novo sistema que queriam implantar no Brasil iria exigir que os candidatos fizessem campanha de governador em todo estado e iria encarecer [as candidaturas]. Só candidato muito rico conseguiria se eleger”, disse Cury.
O deputado votou contra a volta das coligações e argumentou que considera a medida ruim porque confunde o eleitor.
“Infelizmente isso [proposta da coligação] passou e agora vai para o Senado. O eleitor vota em um candidato de um partido e elege outro que nem está sabendo. Confunde a cabeça do eleitor e permite, inclusive, mascaramento. Você coloca um artista para disfarçar e, na verdade, está elegendo um ‘picareta’ escondido”, afirmou.
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