Foto: Charles de Moura/PMSJC
A coluna AnimaisOk, escrita por Ricardo Osman – jornalista e médico veterinário – estreia nesta terça-feira (17) na SP RIO+ com o assunto castração de cães e gatos.
As prefeituras têm demonstrado preocupação crescente com o controle de natalidade em cães e gatos para assegurar melhor qualidade de vida dos bichos e reduzir os índices de doenças zoonóticas (aquelas transmitidas pelos animais aos humanos).
A consciência de que a cirurgia nas fêmeas (a técnica mais usada é a retirada do útero e dos ovários) e nos machos (exclusão dos testículos) é solução definitiva para ninhadas indesejadas já está presente entre os responsáveis pelos animais. O que pouca gente sabe são dos benefícios à saúde dos animais que a esterilização cirúrgica proporciona.
Um dos maiores benefícios das castrações de fêmeas de ambas as espécies é a redução do risco do câncer de mama. Pesquisas internacionais já comprovaram que a retirada dos ovários, e consequentemente dos hormônios reprodutores, é prevenção ao câncer mama.
A American Veterinary Medical Association (AVMA) defende o procedimento em bases científicas. “Metade de todas as neoplasias mamárias em cães e mais de 85% de todas as neoplasias mamárias em gatos são malignas, e a esterilização de animais de estimação fêmeas antes dos 12 meses de idade reduz esse risco”, informa. “A castração dos machos elimina o risco de câncer testicular”, acrescenta o artigo, disponível no site da AVMA.

A organização World Animal Protection estima que “99% das cadelas castradas antes do primeiro cio não desenvolvem a doença” e afirma que, em gatas, a castração reduz as chances de câncer de mama entre 40% a 60%. Importante ressaltar que o câncer de mama maligno, capaz de apresentar metástase no pulmão e fígado, pode ser fatal, gera alto sofrimento, desgaste emocional na família, e o tratamento principal é a excisão de toda a cadeia mamária.
A retirada dos ovários e útero das fêmeas traz outros benefícios à saúde. Sem o órgão reprodutor, não há o risco de piometra, nome técnico da infecção de útero (mais comum do que se imagina) A World Animal Protection destaca: “As fêmeas não ficam mais vulneráveis a infecções uterinas graves, uma vez que o seu aparelho reprodutor é removido.” Doenças sexualmente transmissíveis, como o Tumor Venéreo Transmissível (TVT), deixam de ser também um risco.
A literatura científica recomenda que cães e gatos sejam castrados somente após a série de vacinas que tem início aos 2 meses de idade e vão terminar 60 dias depois, ou por volta dos 6 meses de idade. Isso porque os hormônios reprodutores de machos e de fêmeas fazem parte do crescimento e definem características importantes dos animais. A castração precoce pode provocar incontinência urinária nas fêmeas, informa a AVMA. Nos machos, é preciso aguardar que os testículos desçam para o saco escrotal.
Uma vez castrados, os machos ficam menos agressivos e deixam de urinar por toda a residência, o que reduz conflito com a família humana. Um cão macho com testículos demarca todo o território com xixi na tentativa de atrair uma fêmea da vizinhança. O xixi neste caso é uma espécie de Whatsapp do mundo canino, a principal comunicação com a namorada. Ele não larga seu Whatsapp nem de dia e nem de noite.
Com os gatos machos, a mesma coisa acontece. Mas há um risco ainda maior: gatos pulam, sobem árvores e muros, saltam obstáculos. Acabam indo para as ruas e nas lutas inevitáveis do acasalamento de felinos podem contrair doenças virais graves, como a Leucemia Viral Felina, ou Felv, e a Imunodeficiência Viral Felina, Fiv, que foi confundida com a Aids humana na década de 1980. Ambas doenças imunológicas não têm cura.
Sem o impulso de ir para a rua, é reduzido com o procedimento o risco de atropelamento. As campanhas anunciadas visam sobretudo diminuir o número de filhotes de cães e de gatos abandonados nas avenidas, ruas e parques das cidades brasileiras.
Por tudo isso, o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) de São Paulo reforça ser fundamental a realização de projetos educativos junto das campanhas de castração.
O tutor deve fazer a sua parte:
- As campanhas oferecidas pelas prefeituras exigem dos tutores dos animais atenção aos pré-requisitos e ao pós-operatório:
- O animal deve estar em jejum de ração e água no dia da cirurgia (de 8 horas a 12 horas, varia conforme cada protocolo);
- O animal deve estar saudável, comendo e bebendo normalmente e com fezes com consistência normal;
- Fêmeas não podem estar no cio, prenhas ou amamentando para entrar em uma campanha;
- Cães e cadelas precisam usar roupinhas cirúrgicas;
- Os gatos devem ir em caixa de transporte de felinos domésticos;
- Os medicamentos prescritos devem ser administrados corretamente. Programa-se para dar atenção ao seu pet;
- Mantenha as vacinas de seu pet em dia.