
A Prefeitura de Caraguatatuba informou nesta segunda-feira (12) que registrou um aumento de 100% na procura de informações e pedidos de familiares de pessoas idosas para encaminhá-las a uma instituição de longa permanência (ILPI), durante a pandemia. Segundo o município, este foi um sinal de alerta percebido entre os técnicos da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso (Sepedi).
“Atendíamos dois casos por mês. Agora recebemos de cinco a seis pessoas, por mês, para conversar sobre este assunto”, disse a diretora do Departamento de Políticas de Articulação e Atenção, Alcione Aparecida Vitório Ribeiro dos Santos.
De acordo com a diretora, isso decorre dos problemas trazidos pelo envelhecimento do ente querido como perda de mobilidade, capacidade de atenção, enfim, da perda de autonomia do idoso.
“Os pais que sempre foram independentes, passam a apresentar problemas de mobilidade, diminuição da capacidade cognitiva, e vão se tornando cada vez mais dependentes de um cuidador. Muitas vezes, os filhos não sabem como lidar com essa nova situação e logo pensam nas instituições de longa permanência. Cabe a nós, técnicos, orientá-los como podem reorganizar suas vidas, readequar o local onde o idoso mora, para acolhê-lo e assim mantê-lo no ambiente familiar. Nosso objetivo é sempre promover o fortalecimento da função protetiva da família”, explica a diretora.
A Constituição Federal, no § 1º do artigo, estabelece que “os programas de amparo aos idosos serão preferencialmente executados em seus lares”. Essa determinação é reforçada no Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03), que menciona que o primeiro responsável pelo cuidado é a família, em detrimento do atendimento asilar, exceto para aqueles que não possuam condições de manutenção da própria sobrevivência.
Toledo acredita que a institucionalização somente deva ocorrer quando esgotadas todas as possibilidades de autossustento e convívio com os familiares.
“Quando o idoso tem a habilidade cognitiva preservada, a situação de institucionalização deve ser posta em debate. Ele não pode ser excluído dessa decisão. Por outro lado, quando há um prejuízo cognitivo grande, cabe à família a decisão. Em ambos os casos, a reação do idoso precisa ser acompanhada. O ideal é que o idoso esteja resguardado e protegido, nessa fase da vida, cercado pela família, de uma forma inclusiva”, destaca.