
A CPI da Covid no Senado apreendeu, nesta quinta-feira (1º), o celular do policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que diz ser representante no Brasil da empresa americana Davati Medical Supply, que atuaria na intermediação de contratos de vacinas.
A apreensão do aparelho aconteceu após o depoente, divulgar um áudio na CPI, atribuído ao deputado Luis Miranda (DEM-DF) – que denunciou o suposto esquema da corrupção. Dominguetti afirmou que o deputado Luis Miranda tentou negociar aquisição de vacinas diretamente com a empresa Davati.
Pouco depois, os senadores anunciaram, por volta de 12h, a decisão de recolher o celular de Dominguetti, pela mesa da CPI. Às 15h, uma equipe da Polícia Legislativa do Senado compareceu à sala da comissão e, na frente dos membros e do advogado do depoente, apreendeu o aparelho em uma embalagem lacrada.
Entenda o caso
O deputado Luis Miranda e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, depuseram na CPI, após o servidor afirmar ao Ministério Público ter sofrido “pressões atípicas” para liberar documentos de aquisição da vacina indiana Covaxin, suspeitando de corrupção.
Então o deputado Luis Miranda, disse à CPI, que levou as denúncias ao presidente Jair Bolsonaro, que teria citado o nome do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) como possível envolvido e prometido levar o caso à Polícia Federal.
Já a empresa Davati, foi citada por outras denúncias, feitas por Luiz Dominguetti ao jornal “Folha de S. Paulo” e divulgadas na última terça (29). Segundo Dominguetti, o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Rodrigo Dias, pediu propina de US$ 1 por dose de vacina da empresa Astrazeneca ao negociar um contrato de compra de 400 milhões de doses.
A Davati seria uma intermediária dessa compra, de acordo com Dominguetti. A empresa, no entanto, informou que Dominguetti é um “vendedor autônomo” e negou ter convênio para venda da vacina da AstraZeneca. Em nota, a AstraZeneca afirmou que não tem um intermediário no Brasil.
Na terça-feira (29), após a reportagem da “Folha”, Rodrigo Dias foi exonerado.
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Edição no áudio
O deputado Luis Miranda negou à CPI que o áudio tenha relação com vacinas contra a Covid, alegando que o áudio exibido é de 2020, e que se refere a outra negociação feita nos Estados Unidos, sem relação com vacinas importadas para o Brasil.
O deputado ainda afirmou que o áudio foi editado para prejudica-lo e disse que foi até a polícia fazer uma denúncia de crime contra Dominguetti.
O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) levantou a suspeita de que Dominguetti tenha sido “plantado” para confundir os trabalhos.
“Com todo respeito, essa testemunha foi plantada aqui. Ela foi plantada, ela está em estado flagrancial do artigo 342. Tem que dar voz de prisão a esse depoente”, disse o senador.