Foto: Charles Moura/PMSJC
Parte da frota do transporte coletivo foi paralisada na manhã desta segunda-feira (10) em São José dos Campos. Segundo o Sindicato dos Condutores, o protesto é contra o atraso nos salários, que deveriam ter sido pagos na sexta-feira (7). Por volta das 7h, a categoria estava em assembleia para decidir se vão manter o serviço suspenso até receberem pagamento.
Com a paralisação, os pontos de ônibus amanheceram cheios. O protesto foi feito por trabalhadores das empresas Maringá e Joseense, sendo que a primeira já retornou as atividades. A Saens Peña, que também opera o transporte na cidade, não realizou paralisação.
Procurada a Prefeitura de São José dos Campos disse que foi informada do “pagamento parcial do adiantamento feito pelas empresas em virtude da queda de passageiros no sistema de transporte público durante a pandemia” e alegou que a paralisação parcial realizada pelo sindicato nas empresas Maringá e Joseense não foi comunicada oficialmente à prefeitura conforme prevê a lei.
A administração disse que nesta terça-feira (11) está prevista uma votação na Câmara dos Deputados, prevendo ajuda às empresas de transporte público nas cidades médias e grandes e após a votação, a Prefeitura, empresas e sindicato se reunirão para decidirem novas medidas.
Os trabalhadores da empresa Joseense decidiram não tirar os ônibus da garagem nesta segunda-feira. A prefeitura informou que vai montar uma operação emergencial para suprir a ausência dos veículos.
A Busvale, consórcio das empresas que atuam na cidade, informou que alerta há meses que o sistema de transporte público opera em “grave desequilíbrio econômico-financeiro” e que a situação teria se agravado com a pandemia da Covid-19.
Nota da Busvale
“A Busvale vem alertando há meses que o sistema de transporte público de São José dos Campos opera em grave desequilíbrio econômico-financeiro, com sério risco de colapso. Essa situação foi agravada com a pandemia do novo coronavírus. O impacto foi grave: entre abril e julho deste ano, o sistema registrou uma queda de 59,4% no número de passageiros pagantes, comparado ao mesmo período de 2019. Com o reflexo dessa retração na receita, as empresas têm enfrentando dificuldade para manter os três pilares de operação: mão de obra, combustível e manutenção.
Apesar disso, é importante salientar que as empresas preservaram empregos e mantiveram o sistema operando ao longo da crise.
Reflexo dessas dificuldades, no entanto, o sistema de transporte público de São José dos Campos começou a operar parcialmente no início da manhã de hoje (10.08), em razão de assembleias realizadas pelo Sindicato dos Condutores nas garagens das empresas Expresso Maringá e Joseense, para debater um atraso parcial no pagamento dos salários de junho. A frota começou a ser liberada por volta das 7h15, mas o sistema ainda opera de forma parcial.
É importante lembrar que essa crise não é localizada e tem reflexos em diversas cidades do país. A Busvale acredita firmemente que, para superá-la, é vital o apoio do poder público ao setor, essencial para garantir empregos, empresas e o bem-estar nos usuários do sistema de transporte público”.
