Ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) – Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou, nesta quinta-feira (23), o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A denúncia do MP, é resultado do trabalho da força-tarefa do MP de São Paulo, em parceria com a Polícia Federal. A mesma que já investiga empresário Paulo Skaf, o deputado federal Paulinho da Força e o senador José Serra.
Segundo a denúncia, o ex-governador, teria recebido R$ 2 milhões da construtora Odebrecht, durante campanha ao governo do Estado em 2010 e R$ 9,3 milhões quando disputou a reeleição, em 2014.
Segundo os procuradores, a suspeita é que esses recursos foram destinados tanto ao financiamento eleitoral, de forma criminosa, quando a manutenção da influência da construtora junto ao governo.
O MP ressalta ainda que em 2010 e 2014 a construtora não poderia realizar doações eleitorais, pois controlava a concessionária que administra a rodovia estadual Dom Pedro I e também porque participou do consórcio da linha 6 do Metrô.
“Os recursos não foram registrados nas prestações de contas do candidato (falsidade ideológica), que solicitou e recebeu vantagem indevida (corrupção passiva), pagas pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht, a partir do emprego de métodos ilícitos como uso de ‘doleiros’, com o fim de ocultar a origem dos valores e dificultar a possibilidade de seu rastreio (lavagem de dinheiro)”, diz o MP.
Outros investigados
Além do ex-governador, foram denunciados também: o tesoureiro de campanha de Alckmin, Marco Antônio Monteiro; Sebastião Eduardo Alves, funcionário do tesoureiro; os executivos e operadores da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Luiz Antônio Bueno Júnior, Arnaldo Cumplido de Souza e Silva, Maria Lúcia Guimarães Tavares, Fernando Migliaccio da Silva, Luiz Eduardo da Rocha Soares; e o doleiro Alvaro José Gallies Novis.
O cunhado de Alckmin, não foi alvo da ação penal em razão da prescrição, que o beneficiou em razão sua idade superior a 70 anos.
Outro lado
Em nota, a Odebrechet afirmou que denúncia do MP “se refere ao passado” e é um desdobramento de “fatos apontados ou reconhecidos há alguns anos” pela empresa.
Já o presidente estadual do PSDB em São Paulo, Marco Vinholi, afirmou confiar na idoneidade de Alckmin e que o ex-governador “em seus mais de 40 anos de vida pública, manteve uma postura de retidão e respeito à lei”. Além de ter “convicção de que, ao final do processo, os fatos serão devidamente esclarecidos”.