
Foto: Sergio Nascimento
A zona sul de São José dos Campos concentra os bairros que têm a maior parte dos casos confirmados do novo coronavírus na cidade. O mapa criado pelo demógrafo Leandro Becceneri, de São José dos Campos e que é doutorando em Demografia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), mostra essa tendência cada vez maior.
Inicialmente, a zona oeste tinha o maior número de casos (Aquarius em primeiro e Urbanova em segundo). Porém, atualmente, o Bosque dos Eucaliptos, na zona sul, concentra a maioria dos casos (183), segundo pelo Jardim Satélite, também na zona sul, com 142. O Aquarius caiu para o terceiro lugar, com 137 casos. O Jardim Morumbi (sul) tem 132 casos registrados da doença até agora e está em quarto lugar, seguido pelo Campo do Alemães (sul), com 123, Jardim das Indústrias (zona oeste, com 108 casos) e Urbanova (99).
O mapa é feito baseado nos dados oficiais divulgados pela prefeitura de São José dos Campos e referentes ao dia 9 de julho, última quinta-feira. Entre os dez bairros com maior número de casos, cinco são da zona sul, três da zona oeste, um da zona norte e outro da zona leste.
“Há algumas semanas a região sul vem apresentando um aumento constante do número de casos, ultrapassando a região oeste, região que liderava os casos até poucas semanas atrás. Porém, é preciso lembrar que há grande subnotificação de casos na cidade, o que pode atrapalhar uma análise mais consistente sobre essa questão”, disse o demógrafo.
Os bairros com as cores mais escuras no mapa são os que concentram mais casos. No total, 212 bairros de São José já tiveram casos confirmados da doença desde o início da pandemia.

Região Leste
Ainda de acordo com o especialista, o mapa também mostra o início de um crescimento de casos na zona leste de São José. “Há motivos para isso: primeiro, é a segunda região mais populosa da cidade, atrás apenas da zona sul. O número de moradores por domicílio (residência), também é o maior na cidade (quando consideradas as zonas leste e sudeste juntas)”, disse.
Outro fator importante é o transporte, segundo Becceneri. “A Zone Leste faz trocas intensas de população para trabalho e/ou estudo utilizando transporte público, primeiro com a região central, depois com a Zona Sul, que apresenta esse número grande de casos. É a segunda região com mais viagens de ônibus na cidade”, ressalta.
“Tudo isso, junto com a análise da expansão dos casos, possibilita projetar um crescimento dos casos para essa região agora. O ritmo de novos casos da zona sul também parece não diminuir”, afirmou.
Aumento
Além disso, em relação ao mapa divulgado 15 dias atrás pelo demógrafo, o número de casos na cidade saltou de 2750 para 4.022, um aumento de 46,25% durante o período. Até agora, a cidade já registrou 119 mortes (contando o boletim do dia 10 de julho).
