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O filme era preto e branco, mas a multiplicidade de sentidos despertados era a de um arco-íris completo! Uma mulher e duas vidas: uma escura e triste, vivida para servir; outra clara e brilhante, vivida para sentir. A história está no filme “A velha dama indigna” adaptada do conto de Bertolt Brecht, de 1939.
Uma senhora, Berthe, que opta em degustar a vida após a morte do marido. Ao invés de murchar-se e fechar-se no luto, ela escolhe viver. Criticada por todos, inclusive por seus filhos, ela surpreende com a escolha não esperada. Força e vontade são seus guias na nova jornada. Que mulher! Quantas vezes nos deparamos com dois caminhos, duas opções e decidimos pelo socialmente aceito, mas que nem sempre vai de acordo com nossos desejos? Até pra ser a gente mesmo é preciso muita coragem! São escolhas!
Após o filme, uma xícara de café esquentou meu corpo e me despertou para as reflexões. Percebi que também podia escolher, diariamente, quem vencia a luta interna das minhas emoções diante da quarentena.
A Confiança e a Ansiedade andavam em pé de guerra na minha mente e no meu corpo! Os dias nublados, as notícias do mundo lá fora e as incertezas fortaleciam a Ansiedade que se aliava ao Medo e derrotava facilmente a Confiança. Outros dias, por sua vez, conseguia nutrir a Confiança com proteínas à base de oração, boas leituras e energético composto de fé.
Nesses dias ensolarados, também me lembrava de convidar a Esperança para fazer companhia à Confiança. Eram bons os momentos em que sentia a vitória da Confiança.
Confiança versus ansiedade, um dilema cotidiano simples de ser compreendido nesse período de pandemia, diferente do experimentado pela Dra. Berthe, do filme, que tinha dentro de si batalhas sobre a Vida e a Morte. Apesar de diferentes, percebi que eu e Sra. Berthe comungávamos da liberdade de escolha.
Nossas atitudes são escolhas diárias e, a nossa vida, resultado da somatória de todas estas escolhas. Observo a minha trajetória até aqui e compreendo as opções que tive, acolhendo os meus erros e acertos. Percebo o filme colorido da minha vida e dou as mãos à sábia Sra. Berthe escolhendo, com muita convicção, uma vida bem vivida!
