Foto: Lucas Lacaz Ruiz
Com alta de casos positivos de Covid-19 e queda no isolamento, a RMVale prepara o passo mais arriscado desde o início da quarentena: reabrir atividades em meio à curva ascendente da doença, o que contraria recomendações sanitárias.
Países que flexibilizaram antes da taxa de contágio cair a menos de 1 – critério para vencer a epidemia –, voltaram a endurecer, como a Inglaterra.
Em países que decidiram relaxar depois da epidemia estar sob controle, como Alemanha, França e Coreia do Sul, novos casos apareceram.
O anúncio da flexibilização da quarentena em São Paulo a partir de 1º de junho se dá em cenário preocupante. Na quinta-feira (28), o estado – epicentro da doença no país – passou de 6.000 mortes e se aproximou de 100 mil casos.
O Brasil registrou mais de 1.000 mortes em 24h pelo terceiro dia consecutivo, alcançando 438 mil infectados e 26,7 mil mortes. É o segundo país com o maior número de casos, atrás dos EUA.
RMVALE
No Vale do Paraíba, o panorama é de crescimento dos casos. Foram 536 novos doentes de Covid-19 no período de uma semana. Trata-se do maior número para esse intervalo de tempo desde os primeiros casos, em 18 de março.
Na primeira semana, a região registrou 59 novos casos, que depois passaram para 113 na segunda semana e sucessivamente com acréscimo de 149, 267, 312, 410, 460 e 536, entre 21 e 28 de maio.
Até 28 de maio, a região registrava 2.058 casos confirmados de Covid-19 e 81 mortes. Diversos estudos apontam para a necessidade de se manter o isolamento até a doença estar em curva de declínio.
REABERTURA
A RMVale foi incluída na fase dois da reabertura estadual, classificada de “controle”.
A região terá a reabertura de atividades imobiliárias, concessionárias, escritórios em geral, comércio (incluindo o de rua) e shopping centers.
Segundo o Estado, a reabertura será feita com restrições de fluxo, de horários e com medidas de distanciamento.
“Decisão foi tomada de forma objetiva, transparente e com critérios técnicos, compactuados com os prefeitos”, disse o secretário estadual da Habitação, Flavio Amary, integrante do Comitê Econômico do Plano São Paulo.
Segundo ele, qualquer sinal de aumento da doença que coloque em risco o atendimento hospitalar, a região poderá ter a flexibilização interrompida.
“Se por alguma razão houver aumento dos casos, das internações e da ocupação de leitos, essa fase 2 pode voltar para a fase 1, que é o alerta máximo, em vermelho”.
Amary afirmou que o contrário também pode ocorrer. “Podemos ter aumento do número de casos e uma estrutura de saúde que não está sobrecarregada, e isso pode evoluir para uma fase 3, a amarela. É o que esperamos”.
Indicado pelo governo para acompanhar a RMVale na produção do plano regional de retomada, Amary explicou que os indicadores de saúde da região serão acompanhados regularmente.
“Se ascender a luz amarela dos números da região, pode acontecer uma alteração. Não esperamos que aconteça, mas é uma possibilidade.”
Segundo o secretário, não há previsão de volta à normalidade. “Houve flexibilização, mas a quarentena continua. Não há planejamento de data para retorno à normalidade. Vai depender do comportamento da população”, completou Amary.
