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Ei, você! Vamos conversar? Preciso te fazer umas confidências. Se você se identificar com alguns dos meus segredos poderia me contar? O que você vai ler é uma espécie de desabafo, algo que tenho feito por aqui, com certa freqüência. Mas hoje a sua leitura e interação resolverão um dilema importante: minha sanidade mental!
Pra começar vou logo dizendo sobre uns curtos-circuitos estranhos que tem acontecido na minha cabeça durante essa quarentena. Acho que meu estado mental vai inaugurar uma nova nomenclatura na psiquiatria: transtorno pentapolar. Isso mesmo, meu humor tem variado de “fundo do poço” a “tristeza”, passando pelo “estado do limbo”, que é aquele que não sei absolutamente o que sinto, até chegar num “bem estar” razoável com picos raros, bem raros de “euforia”.
E você acredita que toda essa variação pode acontecer num breve período de apenas uma hora? Além disso, parece que estou sofrendo de inversão. Vou te explicar melhor: eu choro em filmes de comédia, em comerciais e morro de rir nos filmes dramáticos e nas notícias de política! Esquisito, não acha? Também ando sofrendo de uma solidão atípica.
Parece que de tanto ficar comigo mesma me perdi por dentro e não consigo mais me achar. Sinistro! Tenho arrumado alguns remedinhos pra essa solidão que tem ajudado, mas não me curado. Eu leio, e faço amizade com um tantão de personagens; eu escrevo e encontro você do outro lado, numa conexão especial de almas. Digito as letras pra traduzir meus sentimentos e você as decodifica, sentindo um pouco do que eu sinto.
Por fim, ainda preciso te dizer que tenho tido dificuldade para dormir, para fazer atividade física, em usar maquiagem, em escolher roupas bonitas para vestir (tenho preferido as velhas e confortáveis). Não faço as unhas há meses. Tenho receio de nunca mais conseguir subir num salto alto. E, contraditoriamente, sentar num banco de uma praça sozinha num dia ensolarado pra conversar com Deus tem sido uma das minhas maiores satisfações.
E aí, deu pra me entender? Não quero ser egoísta, mas torço para que alguém aí do outro lado diga que se identifica com alguma das minhas sensações. Talvez esse lado avesso de mim tenha estado sempre aqui. Talvez eu aprenda a acomodá-lo. Talvez seja só uma fase. O certo é que nunca mais serei a mesma!