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O ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou nesta quarta-feira que a cloroquina é uma “incerteza” no combate ao novo coronavírus. Em audiência virtual realizada pelo Senado, Teich disse que conversou com representantes do laboratório Novartis, que fabrica a cloroquina na China, e ouviu que a droga não seria um “divisor de águas em relação à doença”. O presidente Jair Bolsonaro já se manifestou algumas vezes defendendo o uso do medicamento mesmo em casos leves de coronavírus.
– Em relação à cloroquina ainda é uma incerteza – afirmou Teich ao senadores.
Teich disse que, apesar de ter havido estudos no início da pandemia indicando supostos benefícios da droga no tratamento da Covid-19, atualmente, há estudos que indicam o contrário.
Ele afirmou que um executivo da Novartis, indústria farmacêutica que produz o medicamento na China, lhe disse que a droga não seria um “divisor de águas” para o tratamento da Covid-19.
– Conversando com ele, os dados preliminares que se tem na China é que teve uma mortalidade alta (após o uso do medicamento) e certamente o remédio não vai ser um divisor de águas em relação à doença – afirmou Teich.
Desde o início da epidemia, parte da comunidade científica se manifestou de forma cética em relação aos supostos benefícios da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. No Brasil, a droga é amplamente usada no tratamento de doenças como malária e lupus. Médicos alertam para efeitos colaterais como arritmias que podem se fatais em pacientes como problemas cardíacos.
Um estudo realizado no Amazonas chegou a ser parcialmente suspenso após a morte de pacientes que receberam doses altas de cloroquina.
Apesar das controvérsias, o presidente defendeu em diversos discursos o uso da droga. No dia oito de abril, ele chegou a defender o medicamento até na fase inicial da doença.
– Instruí meus ministros: após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de Estado de outros países, passei a divulgar, nos últimos 40 dias, a possibilidade de tratamento da doença desde sua fase inicial – afirmou.
Na semana passada, o Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu um parecer afirmando que não há evidências de que a droga tenha benefícios no tratamento da Covid-19, mas liberou médicos a prescrevê-la em algumas situações e sempre após informar o paciente sobre os riscos da droga.
Respiradores
Ao responder sobre a vinda frustrada de 15 mil respiradores da China que haviam sido encomendados pelo Brasil, o ministro Teich disse que havia uma “suspeita” sobre o processo, com exigência de depósito de metade dos valores em dinheiro na Suíça, e que a própria gestão passada decidiu cancelar a aquisição:
– A informação que eu tive, aí eu tenho que confirmar isso, é que na verdade era um intermediário que estava trazendo e existia alguma suspeita em relação à condução desse processo. Inclusive, o que foi colocado, que é o que tenho que checar, é que tinha de ser feito um depósito em dinheiro na Suíça, metade teria que se depositado na Suíça antecipadamente, e diante disso a gente optou por não seguir. Até porque não havia expectativa de entrega. É uma coisa que posso confirmar.
Ao ressaltar que foi uma compra feita “bem antes” de sua chegada, Teich também se preocupou em dizer que não se trata de qualquer problema de ordem ideológica com a China:
– É importante colocar que, em relação à China, não foi uma posição ideológica. Foi um processo um pouco confuso, de ter que depositar antes, num país como a Suíça, e as circunstâncias. O que eu soube é que optou-se por não fazer, não foi nem eu que fiz essa opção. Mas eu acredito que seja isso.
No último dia 8, o então ministro Luiz Henrique Mandetta anunciou que a pasta tinha desistido da compra de 15 ml respiradores na China. O país já tinha, segundo Mandetta, descumprido contratos de compra de equipamentos de proteção individual, como máscaras.
— As compras na China estão praticamente todas não se confirmando. Tínhamos uma proposta de uma empresa para trazer até 15 mil respiradores, ela teria até 30 dias. Poderia chegar no 30° dia e dizer que não poderia. Descartamos essa possibilidade_disse na ocasião.
A escassez dos produtos no mercado internacional ocorreu devido a uma corrida de vários países por conta da pandemia e também pelo fato de a produção de vários itens ser concentrada na China. Além disso, um imbróglio diplomático foi criado a partir de postagens consideradas ofensivas ao país feitas pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.
Reforço de médicos
Questionado sobre a possibilidade de contratação de médicos formados fora do país, sem registro profissional no Brasil, para atender na crise da Covid-19, Teich defendeu a aplicação do Revalida, o exame de certificação de diplomas estrangeiros que não tem sido aplicado periodicamente. Segundo ele, a capacidade técnica é importante em determinados procedimentos:
– Existem alguns atos médicos que são muito dependentes da competência técnica do profissional. Não é muito simples tratar como um todo isso. O que seria ideal é que a gente realmente conseguisse trazer o Revalida para a frequência necessária.
A contratação de médicos formados fora do país sem Revalida é uma pressão constante sobre o Ministério da Saúde, à qual Teich se posicionou contrário.
– Sou a favor de termos testes que comprovem a qualidade profissional. Se isso é necessário, que a gente consiga fazer isso acontecer dentro do tempo adequado – completou.
