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Passeando pelo Instagram vejo uma postagem do meu filho. Como mãe coruja, clico para comentar. Ao abrir os comentários percebo que não sou a única que o ama e o acho incrível! Vários seguidores declaram seu amor escrevendo “te amo” e tecendo milhares de elogios. Fico feliz por ele ser tão “amado” e “admirado”! Converso com ele a respeito que comenta que ali estão conhecidos, colegas e alguns poucos amigos. Reflito então sobre esse amor declarado.
Seria maravilhoso se tivéssemos mesmo a capacidade de amar as pessoas conhecendo-as tão pouco, não acham? O “eu te amo” tem sido usado de forma tão rasa que vem perdendo seu significado, numa espécie de esvaziamento semântico. Não me incomodo que as pessoas digam que amam umas às outras. O que me perturba são dois aspectos: a falta de comprometimento com o que se diz e a escassez de amor.
Antigamente, a palavra era lei e bastava ser dita para que um acordo fosse firmado. Hoje, o comum é falar de forma impulsiva, sem se responsabilizar pelo que é dito. Elogios são dados aos “super sinceros” que falam o que pensam. Será? A irresponsabilidade lexical pode ferir, desfazer acordos, prejudicar nações.
O cuidado com a fala é uma capacidade cognitiva própria de quem cuida, respeita e se interessa pelo outro. Essa responsabilidade envolve amor, sentimento em falta nos dias de hoje. Amar envolve nossa identidade, nossa existência, pois nos encontramos no Outro. É urgente que passemos a olhar para o lado. Precisamos deixar o amor invadir nossas práticas sociais. Amor é aceitação mútua, envolve respeito às diferenças e idiossincrasias. É ter compaixão pelo próximo. É usar máscara para proteger quem está perto.
É ficar em casa, se for possível. É doar a quem precisa. É compreender a dor do outro. É proteger os mais velhos, os mais pobres e mais necessitados. O amor não escolhe idade, religião, partido político, gênero, cor, conta bancária ou profissão. Seu poder revolucionário é a chance para a salvação da nossa humanidade em meio ao caos que estamos vivendo. Portanto, vamos viver o amor!
Vamos escolher cuidadosamente nossas palavras e mensagens para nos expressarmos. Vamos ser empáticos! Os piores vírus que circulam entre nós são a discórdia, a vaidade e o egoísmo. E, para estes, nós já temos a cura: o amor! Se não for o suficiente, vamos dobrar a dose!
