
Foto: Arquivo pessoal
O foco mudou! De repente, o holofote das imagens passou para nossos incríveis olhos! De cores variadas e tamanhos diferentes, cada par carrega uma subjetividade única. Como portas de nossa alma, eles se abrem para nosso interior revelando sentimentos e emoções. Alguns cientistas descrevem que nossos olhos são a única parte do nosso cérebro que está diretamente exposta ao mundo. Assim, olhar outra pessoa nos olhos significa o jeito mais próximo de “tocar seu cérebro”, ou, dito de um jeito mais poético, de tocar sua alma!
Detenho-me aos olhos porque estamos no momento das máscaras! Em tempos de pandemia elas são usadas como instrumentos de proteção, conscientização e solidariedade. Além destes significados, com o uso das máscaras percebemos visualmente algo diferente: nossos lábios foram tampados! Não vejo isso como censura da fala, mas entendo como uma possibilidade de mudança e iluminação de outra parte do rosto para expressão do Ser, a dos olhos! Somos convidados a exercitar nossos gestos e emoções por meio do olhar. É tempo de aprender a sorrir com os olhos! Estudiosos em psicologia social revelam que o sorriso funciona como “lubrificante social” abrindo possibilidades de relacionamentos em várias esferas.
Guillaume Duchenne, neurologista e pioneiro da fotografia médica, detalhou diversos tipos de sorrisos existentes, apresentando a verdadeira arquitetura facial em movimento para produção do sorriso. Para ele, o sorriso mais verdadeiro, hoje conhecido como sorriso de Duchenne, é um tipo de sorriso que envolve a contração do músculo zigomático, eleva os cantos da boca e forma os pés de galinha ao redor dos olhos. Isso mesmo! O sorriso verdadeiro é o que forma as belas rugas no cantinho dos olhos. Portanto, se não der para ver os nossos lábios sorrindo, nossos olhos sorrirão por eles!
Hora de colocar a máscara nos lábios e tirar as máscaras dos olhos, revelando as rugas da nossa existência! É momento de treinarmos a expressão da nossa interioridade mais sublime, nos conectando com os outros, verdadeira e sensivelmente, por meio do Olhar! Quem sabe, quando tudo isso passar, sem nossas máscaras de proteção, tenhamos aprendido a VER de um jeito diferente e a SORRIR com toda nossa alma?