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O dia a dia dos motoristas de aplicativo ganhou dois novos obstáculos: a queda no número de passageiros e a insegurança de continuar as corridas com o risco de ser infectado pelo novo coronavírus. Os desafios, presentes há quase 30 dias, já têm provocado angústias em famílias do Vale do Paraíba.
O motorista Carlos Alberto, de 39 anos, fazia mais de 20 corridas diárias antes da pandemia. Agora, o número é inferior a 10. A queda de ao menos 50% tem feito com que ele opte por deixar de oferecer o serviço para não sofrer prejuízo.
“Está muito fraco, se trabalhar fica ‘elas por elas’. O que você ganha abastece para outro dia, aí no caso tenho só gasto”, contou. Carlos solicitou o auxílio emergencial de R$ 600 do governo federal e, para tentar sustentar a família, procura um emprego como motorista profissional.
No caso da motorista Vânia Aparecida Inácio, que atua há três anos com transporte por aplicativo, ela preferiu, por segurança, deixar de ofertar as corridas logo no início da quarentena e fazer somente viagens particulares entre cidades.
“Fiquei com receio de contrair a doença e passar para meus familiares. Tem o medo e a queda do movimento também. Não adianta ficar na rua me expondo e ganhar R$ 50 no fim do dia”, afirmou.
De março para abril, ela conseguiu apenas duas viagens particulares. Vânia também solicitou o auxílio emergencial do governo e aguarda o retorno. Além disso, tem tentado espairecer ajudando nos serviços de um sítio da família.
“Para não ficar pensando muito nessa dificuldade estou fazendo a limpeza de toda a chácara. Isso me dá forças para continuar”, concluiu.
Suporte
Questionada sobre a queda do movimento no serviço, a Uber informou que não comentaria, mas disse que tomou uma série de medidas para auxiliar os motoristas durante a pandemia. Entre elas, o ‘Vale Saúde Sempre’, que oferece descontos em consultas médicas e em exames laboratoriais e de imagens. Além disso, disse que qualquer motorista que tenha quarentena orientada por uma autoridade da saúde receberá assistência financeira por até 14 dias. As medidas incluem também orientações para higienizações frequentes, viagens com janelas abertas e para que os passageiros sentem-se no banco de trás.
A 99 informou que monitora diariamente os cenários envolvendo a pandemia e que a prioridade é garantir a saúde dos usuários e motoristas. Segundo a empresa, foi criado um fundo para ajudar os parceiros que sejam diagnosticados com coronavírus, seguindo a média de ganhos na plataforma. Para os motoristas que continuam trabalhando, além da disponibilização de informações, a 99 afirmou que faz a doação de corridas em parceria com o Poder Público de várias cidades. Neste caso, 100% é repassado aos parceiros.
