Foto: Rachel Loiola
O domingo amanheceu diferente. Era pra ser um domingo de páscoa comemorado em família. Na cozinha, preparando o café da manhã, percebi o ar pesado, peito apertado e garganta seca. Beberiquei o café na esperança que aquecesse meus sentimentos. O aperto prosseguia. Inspirei. O apartamento pareceu pequeno demais diante de tantas emoções. Quebrando meu confinamento em casa, recorri ao ar livre para melhorar a angústia. Fui até uma praça perto de casa e muito pouco freqüentada. Eleita por mim como a mais bonita de São José, me abriga constantemente quando preciso respirar e colocar pensamentos em ordem. Estacionei o carro e caminhei em direção ao sol. Observei duas crianças brincando com seus pais de esconde-esconde. Lindo de ver! Por que brincadeiras tão divertidas se escondem nessa nova era? Após um breve tempo a família se foi. Fiquei na imensa praça acompanhada apenas pelas árvores, flores, pássaros e borboletas. O som era suave, o perfume delicado e o ar puro. Inspirei. Ali não me senti sozinha. Estava junto ao que me energiza: a simplicidade da natureza! Olhei para as árvores frondosas com generosas sombras e desejei que debaixo delas estivesse meu quarto, minha sala, minha cozinha. Desejei, após passar o caos do momento, viver em uma casa no campo, ou quem sabe à beira-mar. Estamos de quarentena, mas podemos sonhar sem limite, não é?!
Caminhei pela praça e percebi o som de gargalhadas, talheres e música vindo de umas das casas. Era família reunida celebrando a Páscoa. Respirei. Saudade apertou. Continuei andando e instantaneamente rememorei os deliciosos almoços de domingo com toda a família. Fui para o carro e, antes de voltar pra casa, passei numa padaria. Acolhida pela natureza, resolvi oferecer, ao meu filho e marido, um momento de lembrança infantil e alegria em forma de ovos de chocolate. Oramos, agradecemos e celebramos os três juntos a Páscoa. Foi diferente, mas também maravilhoso! A vida é cheia de mudanças e, como diz Darwin, não sobrevive à espécie mais forte, mas a que melhor se adapta às mudanças. Prossigamos na adaptação!
