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Os casos de Covid-19, causado pelo novo coronavírus, indicam um avanço da pandemia em direção ao interior do estado de São Paulo, segundo informe oficial divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde.
No total, 107 municípios paulistas possuem ao menos um caso confirmado da doença.
O estado tem 304 mortes pelo novo coronavírus e 4.866 casos da doença, que já atingiu todas as regiões administrativas do estado.
No Vale do Paraíba, 10 cidades registram casos positivos da doença, sendo São José dos Campos com 66 pacientes, Taubaté com 7 e Jacareí com 4. Também há cinco mortes confirmadas e 45 aguardando exame.
Segundo o governo estadual, os óbitos se concentram em pessoas com 60 anos ou mais, somando 262 pessoas. Entre o total de mortes estão 174 homens e 130 mulheres.
Segundo o infectologia Carlos Fortaleza, que é professor da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Botucatu, o interior paulista tem uma progressão da epidemia “ainda numa fase ascendente”, diferente da fase de estabilização que foi conseguida na Grande São Paulo, epicentro da doença no país.
“Dados de mobilidade social medidos por celular têm mostrado que, no interior, uma falsa sensação de segurança reduz a eficácia do isolamento, fazendo com que não atinjamos a meta de 60% necessária para conter a doença”, afirmou o especialista.
Fortaleza disse que a Unesp tem usado modeladores matemáticos e geógrafos da saúde para estudar os modos de dispersão adotados no estado.
Os resultados mostram tendência de aumento dos casos de coronavírus nas maiores cidades de São Paulo, principalmente àquelas mais próximas da Grande São Paulo, como no Vale do Paraíba. Ele recomendou reforço nas ações de isolamento social nestas regiões.
“Percebemos nessas cidades-polo, as maiores do estado e mais próximas da metrópole, que precisam de isolamento ainda maior de forma a reduzir a interiorização do vírus e a sua dispersão pelo estado”, disse Fortaleza.
A médica Ludmila Braga, presidente do Comitê Unesp Covid-19, disse que o atraso no resultado dos exames dificulta o enfrentamento do coronavírus no interior.
“Somente após a contraprova positiva pelo laboratório de referência e a notificação do caso à Vigilância Epidemiológica dos Estados é que o caso entra na contagem oficial da Secretaria de Estado da Saúde e, na sequência, na do Ministério da Saúde”, disse ela.
“Por isso, é fácil de perceber que existe um atraso entre aquilo que vemos nos municípios e o que aparece nos boletins oficiais. Então a lentidão na confirmação laboratorial dos casos e a subnotificação são obstáculos a serem superados”, completou.
Para acompanhar as rotas de dispersão do novo coronavírus em São Paulo, em especial no interior paulista, um grupo de pesquisadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp, de Presidente Prudente, está lançando uma iniciativa chamada “Radar Covid-19”, cujo um dos eixos é desenvolver um trabalho de mapeamento a partir dos registros oficiais de Covid-19.
“Em São Paulo, estamos mudando de fase”, disse o professor Raul Borges Guimarães, especialista em Geografia da Saúde.
Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas disse que sem as medidas de distanciamento social determinadas pelo Estado, São Paulo poderia ter em 13 de abril 150 mil casos de coronavírus com mais de 5 mil mortes.
Com as medidas que foram tomadas, ele projeta entre 20 e 25 mil casos e menos de 1.300 mortes.
“Essa é a dimensão do que nos espera. As mortes serão crescentes”, afirmou Covas.
“Temos visto a chegada de cada vez mais pacientes. Situação não está sobre controle absoluto e temos que garantir que as ações de distanciamento social sejam efetivas”, disse Luiz Carlos Pereira Junior, infectologista e diretor geral do Hospital Emílio Ribas, na capital.
