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Embora não tenha citado nomes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ameaçou integrantes do governo neste domingo à tarde. Ele disse que ‘algo subiu à cabeça’ de algumas pessoas e que ‘a hora deles vai chegar’, pois ‘não tem medo de usar a caneta’.
“Algumas pessoas no meu governo, algo subiu na cabeça deles. Eram pessoas normais, mas, de repente, viraram estrelas, falam pelos cotovelos, têm provocações. A hora deles não chegou ainda não. Vai chegar a hora deles”, disse o presidente a um grupo de religiosos que neste domingo se aglomerou em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília.
“E a minha caneta funciona. Não tenho medo de usar a caneta, nem pavor. E ela vai ser usada para o bem do Brasil. Não é para o meu bem. Nada pessoal meu”, afirmou.
Nestes últimos dias, Bolsonaro vem se estranhando publicamente com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, por conta da quarentena. O ministro defende a continuidade do isolamento social por conta da pandemia de coronavírus; já o presidente quer que todos voltem a trabalhar (com exceção do chamado grupo de risco).
Aglomeração
Na saída da Alvora, neste domingo, inicialmente o presidente estava mantendo certa distância dos apoiadores, apesar de sua presença ter formado uma aglomeração de curiosos ao redor. “É muito fácil acreditar em deus, basta querer descobrir de onde veio. Nós viemos do espírito santo, vamos voltar para esse lugar um dia, temos que voltar com a ficha limpa”, disse Bolsonaro.
“A minha missão aqui, o pessoal deve saber, é fazer o melhor para o país. Semana passada eu fui massacrado pela mídia por ter ido a Taguatinga (região administrativa do DF), como se um general não pudesse estar no meio dos soltados”.
“Cada chefe de executivo querendo mostrar mais medidas restritivas que o outro. Mas já em gente que está voltando atrás. (…) Eu posso ficar em quarentena três anos aqui se precisar, mas o povo brasileiro não pode”.
Após essas palavras, o presidente ouviu seus apoiadores lerem versículos da Bíblia e realizar orações ajoelhados na qual pediram o fim das mortes pelo coronavírus. Ao final, Bolsonaro tocou a mão de um apoiador que disse não dar a mão a alguém desde o dia 17 de março. Em seguida, o abraçou.
Ele também tirou foto com os apoiadores e disse que se continuasse a “imprensa iria esculhambar”.
