Foto: Rogério Marques/arquivo OVALE
O ‘apagão’ nos radares de trânsito de Taubaté provocou uma redução de 26% no número de multas aplicadas no município em 2019, no comparativo com o ano anterior. Os dados foram informados pelo governo Ortiz Junior (PSDB) à Câmara, em resposta a um requerimento feito pela vereadora Loreny (Cidadania).
Em 2018, foram registradas 52.412 infrações de trânsito, sendo 34.203 aplicadas por radares e 18.209 pelos agentes. No ano passado, segundo o balanço, foram 38.761 multas, sendo 27.372 aplicadas pelos agentes (50,3% a mais) e apenas 11.389 flagradas pelos radares (66,7% a menos).
A análise mês a mês mostra que o ‘apagão’ ocorreu a partir de junho. Em janeiro de 2019, por exemplo, foram aplicadas 3.252 multas pelos radares. Nos quatro meses seguintes, o número de infrações se manteve acima de 2.000 (2.983 em fevereiro, 2.872 em março, 2.931 em abril e 2.330 em maio).
Em junho, foram registradas 1.406 infrações pelos radares. A queda foi acentuada nos meses seguintes: julho (970), agosto (686), setembro (237) e outubro (12). Em novembro e dezembro não foi aplicada nenhuma multa pelos equipamentos de fiscalização eletrônica em Taubaté.
O ‘apagão’ dos radares coincidiu com a assinatura do novo contrato do serviço. O contrato anterior, com o Consórcio Taubaté Vias, terminou em 30 de junho. Desde 1º de julho a responsável pelos radares e pelo COI (Centro de Operações Integradas) é a Talentech, que liderava o Consórcio Taubaté Vias.
A troca das 160 câmeras do COI e dos 40 equipamentos de fiscalização eletrônica atrasou e foi concluída apenas em dezembro. Desde outubro, para atender a uma nova normativa do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), os radares estão desligados – situação que persiste até hoje.
Questionado pela reportagem, o governo Ortiz informou que os radares devem voltar a operar na segunda quinzena desse mês. A gestão tucana disse entender que não há relação entre o ‘apagão’ no sistema e o fato de Taubaté ter registrado no ano passado 20% de todos os acidentes com vítima na região. “As infraestruturas [radares] permaneceram instaladas e os mesmos funcionaram de forma educativa”, alegou a prefeitura, que sustentou também que a queda nas infrações era esperada “devido ao constante aumento do respeito por parte dos motoristas nesses locais, que se habituaram com os equipamentos”.
O governo Ortiz alegou também que a Talentech tem recebido apenas pelo serviço prestado – ou seja, pela instalação dos radares, e não pela operação.
