
Foto: Roosevelt Cassio/Sindmetalsjc
A Embraer anunciou que vai dar férias coletivas para todos trabalhadores que atuam nas unidades instaladas no Brasil para realizar a transição do comando da empresa para a Boeing.
A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Procurada, a Embraer ainda não comentou.
A companhia norte-americana irá comprar 80% da aviação comercial da Embraer, que fará parte da Boeing Brasil Commercial. O controle será dos americanos, com 20% da nova companhia nas mãos da Embraer.
Segundo o sindicato, as férias coletivas serão concedidas de 6 a 20 janeiro. A medida deve impactar cerca de 15 mil trabalhadores, paralisando as unidades Faria Lima e Eugênio de Melo, em São José dos Campos, Taubaté, Sorocaba, Gavião Peixoto e Botucatu, todas no estado de São Paulo.
Os escritórios da Embraer em São Paulo e em Belo Horizonte (MG) também serão afetados. “A decisão causa apreensão entre os trabalhadores, preocupados com as medidas que a nova direção da companhia eventualmente possa tomar”, informou o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, que representa a maior parte dos trabalhadores da Embraer no país e é contra as férias coletivas.
“Em assembleia, os trabalhadores reivindicaram da empresa a concessão de licenças remuneradas, ao invés de férias coletivas, se fosse preciso parar a produção por conta da mudança do controle operacional”, disse Herbert Claros , diretor do sindicato.
Confira comunicado da Embraer aos funcionários:
Período de blackout e de férias coletivas
Seguem detalhes sobre o período de blackout e de férias coletivas que ocorrerá no mês de janeiro de 2020, quando será realizada a separação / duplicação dos sistemas e processos relativos ao negócio de aviação comercial. Futuramente, eles serão utilizados pela joint venture com a Boeing, após fechamento da transação. Assim, garantimos uma transição saudável, duas empresas completas e com tudo o que necessitam para operar e crescer.
Durante o período de 6 a 20 de janeiro, as operações e os sistemas de TI estarão fora do ar. Exceções estão sendo analisadas junto com a equipe de TI para verificar a viabilização da demanda.
Essa paralisação é necessária para que os sistemas de TI sejam duplicados / segregados em dois ambientes diferentes. Além disso, de 1º de janeiro até a contribuição sistêmica dos ativos e passivos (dropdown / upload) reduziremos os registros de transações a próximo de zero.
Após o período de blackout a empresa dedicada ao negócio de Aviação Comercial (que formará a joint venture planejada com a Boeing) estará segregada da Embraer, com sistemas independentes e todas as pessoas já transferidas e trabalhando dedicadas a esse negócio. Importante ressaltar que essa empresa continua fazendo parte do grupo Embraer até que a parceria seja totalmente aprovada pelas entidades regulatórias e atenda todas as demais condições de fechamento do negócio entre as empresas.