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Dois dos principais parceiros comerciais do Vale do Paraíba, China e Argentina reduziram a compra de produtos fabricados na região neste ano e interromperam a tendência de crescimento na pauta exportadora.
O caso mais dramático é o da Argentina, país que enfrenta uma grave crise econômica há décadas comprometendo a relação com o seu principal parceiro comercial no continente, o Brasil.
Em 1997, segundo dados do Ministério da Economia, a Argentina representava 26% das exportações da RMVale, com US$ 617,8 milhões, ocupando a liderança do ranking dos maiores compradores dos produtos da região.
Desde então, o percentual oscila para baixo, tendo atingido 21,13% em 2010 e despencando para 7,24%, em 2019, considerando o período de janeiro a julho. A comparação foi feita a partir da média mensal, em milhões de dólares, das exportações para o país vizinho.
O valor vendido para os argentinos caiu da média de US$ 80,1 milhões por mês no ano passado para US$ 64,2 milhões neste ano, queda de 20%. A exportação de veículos foi o item mais afetado na relação comercial entre o Vale e a Argentina, com uma redução superior a 40% nos sete meses deste ano.
CHINA
Tendo encerrado o ano passado como maior compradora dos produtos do Vale, a China entrou em trajetória de queda desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que já fez duras críticas ao país asiático.
Os chineses reduziram em 50% a média de importação de produtos da região, com US$ 159,9 milhões de média mensal neste ano contra US$ 320,2 milhões no ano passado, a maior da história.
‘São mercados importantíssimos para a região’, diz empresário e diretor do Ciesp
O empresário Cesar Augusto Teixeira, diretor da regional de São José do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), avaliou como trágica a queda das exportações do Vale do Paraíba para Argentina e China. “O ideal seria a recuperação, pois são mercados importantíssimos para a região. O cenário é desafiador”.
Segundo ele, a situação na Argentina é a mais preocupante. O país é o principal comprador dos carros produzidos no Vale. “A situação na Argentina está bem complicada e não vejo solução em curto prazo. Pelo contrário. Deve piorar”.
“Não sabemos porque caiu tanto da parte da China, se é reflexo da briga comercial com EUA. Temos que aguardar o que vai ocorrer”, disse Teixeira.
Na contramão, Estados Unidos registram alta nas exportações
Em guerra comercial com a China, os Estados Unidos avançaram na pauta exportadora com o Vale do Paraíba, ao contrário do país asiático e da Argentina. Os três países são os principais compradores dos produtos da região. Neste ano, a exportação do Vale para os EUA cresceu 15,18%, com uma média mensal de US$ 278,6 milhões contra US$ 241,8 milhões no ano passado. O resultado fez com que os norte-americanos ultrapassassem os chineses e recuperassem o título de maiores compradores dos produtos do Vale, especialmente em petróleo bruto e aviões.
