Foto: Julia Carvalho/OVALE
Dois alojamentos foram inspecionados em São José dos Campos nesta quinta-feira (25) por suspeita de estarem em condições ‘degradantes e insalubres’, análogas à escravidão, durante uma operação realizada pela força-tarefa do MPT (Ministério Público do Trabalho), por meio da Conaete (Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo), em conjunto com a Polícia Civil e o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo.
De acordo com os órgãos, as casas situadas nos bairros Jardim Esplanada e Bosque dos Eucaliptos abrigavam juntas mais de 30 funcionários. Eles supostamente trabalhavam em dois restaurantes de colunária japonesa na cidade.
As moradias tinham lixo nos cômodos, mofo, mau-cheiro e banheiros sem higienização.
OVALE acompanhou a ação da força-tarefa com exclusividade em São José. “Nós ainda estamos investigando, mas as informações preliminares apontam que os responsáveis fazem parte de um grupo econômico de culinária japonesa, isso vai ser apurado”, afirmou Catarina Von Zuben, Coordenadora Nacional da Conaete.
A operação teve início após uma denúncia feita, no dia 17 de julho, por quatro ex-funcionários do restaurante Ydaygorô, na zona oeste. O estabelecimento encerrou as suas atividades na quarta-feira, depois da blitz.
FORÇA-TAREFA
“O que essa força-tarefa interinstitucional está interessada é levantar todo o fluxo desses trabalhadores, desde o instante em que eles saem da sua cidade de origem, até o momento em que eles estão trabalhando, para ver se isso está dentro da legislação criminal e trabalhista”, informou o coordenador estadual do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo, Ricardo Alves, à reportagem de OVALE nesta quinta-feira.
As investigações ouviram um dos responsáveis pelo o restaurante e devem continuar nos próximos dias.
“Os delitos de tráfico de pessoas e trabalho escravo são subnotificados, porque as vítimas, na maior parte, não se reconhecem como vítimas”, afirmou o coordenador do núcleo estadual.
Órgãos investigam se restaurantes integram rede de trabalho escravo
Outros restaurantes de São José também são alvos da megaoperação. A investigação suspeita de que os estabelecimentos façam parte de uma rede de trabalhos análogos à escravidão que atuam em todo o estado.
“Vamos avaliar toda a estrutura de uma eventual rede de tráfico de pessoas e trabalho escravo, desde onde ela nasce até o fluxo do encaminhamento de pessoas”, afirmou Ricardo Alves.
A investigação deve apurar o destino dos ex-funcionários do restaurante Ydaygorô. “O restaurante foi fechado opção dos proprietários. Vamos investigar se os funcionários vão ser realocados em outros restaurantes da suposta rede”, explicou.
