
Foto: Claudio Vieira
Vinte e seis dos 39 municípios (66%) do Vale do Paraíba pioraram a qualidade do tratamento do lixo em aterros de resíduos sólidos urbanos, segundo levantamento da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).
De acordo com o ‘Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Urbanos 2018’, os municípios caíram na avaliação do IQR (Índice de Qualidade de Aterro de Resíduo) na comparação com 2017.
No estudo anterior, nove cidades do Vale receberam nota máxima (10) da Cetesb, representando 13,63% das 66 cidades paulistas que ganharam pontuação máxima por destinarem corretamente os resíduos sólidos urbanos.
Na avaliação de 2018, nenhum município da região alcançou a nota máxima.
No estado, os melhores caíram para 43 cidades.
O inventário reflete as condições ambientais dos sistemas em operação de compostagem e de disposição final de resíduos em aterro, a partir de dados coletados e consolidados até 2018, em todo estado.
Segundo a Cetesb, a metodologia usa critérios de pontuação e classificação dos locais de destinação.
Neste ano, a pontuação máxima obtida no Vale foi de 9,7, incluindo as quatro cidades do Litoral Norte e Jambeiro, Paraibuna, Redenção da Serra e Santa Branca.
Juntos, os municípios movimentaram 286,49 toneladas de lixo por dia no ano passado, 13% do total das 2.193,82 toneladas diárias de lixo na região.
Das cidades que mais movimentaram lixo no Vale, apenas São José dos Campos (769,36 toneladas diárias, 35% do total) melhorou o índice de IQR, passando de 9 para 9,2.
As demais pioraram: Jacareí (9,6 pata 9,2), Taubaté (10 para 9,4), Guaratinguetá (9,8 para 9,2) e Pindamonhangaba (8,9 para 7,5), o pior resultado da região. Os quatro municípios recolheram 728,64 toneladas de lixo por dia em 2018, 33,21% do total do Vale.
Mesmo com o recuo na qualidade do tratamento do lixo, nenhuma cidade foi classificada como de “condição inadequada” (nota abaixo de 7) para os resíduos sólidos urbanos.
Com exceção de aterros próprios, como no caso de São José, 31 cidades do Vale enviam seu lixo para três aterros particulares, instalados em Tremembé (atende 9 cidades e 425,43 ton/dia), Cachoeira Paulista (14 cidades e 336,19 ton/dia) e Jambeiro (8 cidades e 286,49 ton/dia).
As cidades de Arapeí e Bananal não entram no relatório por disporem seu lixo em Barra Mansa (RJ).
CIESP
Para a diretora-presidente da Cetesb, Patrícia Iglecias, a queda da qualidade na avaliação das cidades da região é pontual e não preocupa.
“Não dá para tirar a conclusão porque essas variações são pequenas e podem ser atribuídas a alterações pontuais. O que temos é um dado positivo”, afirmou Patrícia.
Na prática, segundo ela, o estado alcançou 97,8% dos resíduos com disposição considerada adequada. “É um dado expressivo e mostra que estamos perto do 100% de disposição adequada. Avançamos”.
Celebrando o sumiço dos lixões à céu aberto no estado, Patrícia disse que a responsabilidade pelo lixo é de todos, começando pela separação. “Toda a história começa nas mãos do consumidor”..