OVALE

Foto: Reprodução/Câmara de São José dos Campos
Um procurador do MPF (Ministério Público Federal) que atua em São José dos Campos foi citado em uma reportagem do site The Intercept Brasil por, segundo supostas conversas vazadas pela publicação, fazer críticas à atuação de Sergio Moro como juiz federal e ao fato do ex-magistrado ter aceitado o convite do agora presidente Jair Bolsonaro (PSL) para assumir o comando do Ministério da Justiça. O profissional em questão é Ângelo Augusto Costa, um dos três que atuam no MPF de São José. Ele é procurador da República desde 2003.
Segundo o The Intercept Brasil, Costa fazia parte de um grupo no aplicativo Telegram que reunia procuradores de vários estados. De acordo com trechos divulgados pela reportagem, ele era um dos profissionais que mais criticavam a atuação de Moro e a ida dele para o ministério.
“Cara, eu não confio no Moro, não. Em breve vamos nos receber cota de delegado mandando acrescentar fatos à denúncia. E, se não cumprirmos, o próprio juiz resolve”, teria dito Costa em uma das conversas, em 1º de novembro de 2018, sendo endossado por colegas. “Ele [Moro] nos vê como ‘mal constitucionalmente necessário’, um desperdício de dinheiro”, prosseguiu.
“Afinal, se já tem juiz, por que outro sujeito processual com as mesmas garantias e a mesma independência? Duplicação inútil. E ainda podendo encher o saco”, continuou. “Fez umas tabelinhas lá, absolvendo aqui para a gente recorrer ali, mas na investigação criminal – a única coisa que interessa -, opa, a dupla polícia/juiz eh senhora”, finalizou.
Em outro trecho, Costa teria dito que o fato de Moro receber um superministério com poderes expandidos poderia abrir um precedente perigoso. “Não eh muita coisa? Acho que o próprio Bolsonaro vai ficar com medo. Rs. Isso sem falar de quem vem depois. Moro, ok, mas nada eh eterno. Esse super MJ pode virar uma máquina de perseguição política”.
Procurado pela reportagem, procurador não se manifestou sobre as conversas
OVALE tentou contato direto com o procurador Ângelo Augusto Costa nessa segunda-feira, mas no gabinete dele a informação foi de que ele se pronunciaria apenas por meio da assessoria de comunicação do MPF, que fica em São Paulo. O jornal enviou então questionamentos pela assessoria de comunicação, mas não houve resposta até o fechamento dessa reportagem, às 21h30 de segunda. A reportagem havia questionado se o procurador confirmava a autenticidade das conversas publicadas pelo The Intercept Brasil.
No fim de semana, a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) divulgou uma nota manifestando preocupação quanto à publicação de mensagens atribuídas a integrantes do MPF.
