Wellton Máximo/Agência Brasil

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O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia poderá trazer ganhos de R$ 500 bilhões em dez anos para o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) brasileiro. A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (1º) pelo secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz.
Segundo o secretário, o acordo também poderá gerar investimentos adicionais de R$ 453 bilhões no Brasil nos primeiros dez anos de vigência. A corrente de comércio – soma de exportações e importações – será ampliada em R$ 1 trilhão no mesmo período.
O secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, disse que o acordo trouxe ganhos para os dois lados. “Temos a convicção de que o acordo não é um jogo de soma zero, onde um ganha e outro perde. São ganhos coletivos, até porque as economias são complementares”, declarou.
Para entrar em vigor, o acordo precisa ser ratificado por todos os países do Mercosul e da União Europeia. Em alguns países, como a Bélgica, o acordo também precisará ser votado por parlamentos regionais. Ferraz informou que o Mercosul negocia a possibilidade de que o acordo entre em vigor em cada país do bloco assim que cada parlamento aprovar o documento.
“O acordo traz benefícios intangíveis. Muda a percepção do mundo em relação ao Mercosul como bloco, como ator no comércio internacional. Sem contar que o acordo traz uma nova dinâmica para acordos ora em negociação, com o Canadá, a Coreia do Sul e os países da Europa fora da União Europeia. O acordo põe o Mercosul na Champions League do comércio internacional”, completou Ferraz.
Ferraz afirmou que o ganho para o Mercosul está relacionado à velocidade de redução das tarifas. Pelo acordo, a União Europeia terá zerado as tarifas de importação de 92% dos produtos vindos do Mercosul até dez anos depois da nova regra entrar em vigor.
MINISTRA DA AGRICULTURA
O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul pode trazer benefícios para a agricultura brasileira, de acordo com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina.
“O texto ficou interessante. Acho que conseguimos vencer a barreira que tínhamos e o texto ficou muito confortável para aquilo que o Brasil e a agricultura brasileira queiram”, afirmou a ministra.
Tereza Cristina também negou que as recentes autorizações para o uso de agrotóxicos, até então proibidos no Brasil, possam resultar em uma barreira comercial contra o país.