Thais Leite/OVALE
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Com 6.000 motoristas cadastrados, os aplicativos de transporte tiveram alta de 65% em seu faturamento mensal médio nas ruas de São José dos Campos em 2019, na comparação com o ano passado.
De acordo com a Secretaria de Mobilidade Urbana, no fim de 2018 os aplicativos tinham faturamento mensal de cerca de R$ 7,5 milhões no município. Em 2019, esse valor foi para R$ 12,4 milhões.
Nesse total estão incluídos a ‘Uber’ e a ’99’, que fazem o transporte por meio de um automóvel, e, também, os serviços da ‘Yellow’ e da ‘Grin’, com bikes e patinetes.
O volume de faturamento dos apps representa a diferença de R$ 3,6 milhões se comparado ao faturamento mensal das empresas que operam o transporte coletivo na cidade.
Segundo a prefeitura, no ano passado as empresas de ônibus registravam faturamento mensal de R$ 15 milhões. Neste ano, cerca de R$ 16 milhões.
“É algo novo que a gente precisa encarar, não dá para a gente fugir. É algo que está sendo aceito pela população. O exercício é acomodar todas essas modalidades de uma forma sustentável na cidade”, disse o secretário de São José, Paulo Guimarães a OVALE.
Segundo ele, para a nova licitação do transporte público, as alterações no sistema de transporte devem ser observadas. “É um fator importante que está sendo contemplado”, disse.
ÔNIBUS
Em São José, o transporte coletivo realiza em média 174.950 viagens, por meio das empresas Expresso Maringá, Saens Peña e CS Brasil. A frota inclui 388 ônibus e 103 linhas, além dos 77 permissionários que realizam o transporte alternativo com as vans.
Para a Avetp (Associação Valeparaiba das Empresas de Transporte de Passageiros), o valor de faturamento das empresas tem grande influência na alta de gratuidade permitida na cidade. “O sistema de transporte urbano de São José opera atualmente com o maior índice de gratuidade do país, 46%”, informou.
Segundo a categoria, de cada 100 passageiros transportados, 46 não pagam ou são beneficiados com alguma forma de desconto. “Ao contrário de outras cidades com índice de gratuidade elevada, em São José dos Campos não existe subsídio ao transporte coletivo urbano”, disse a Avetp, em nota.
Número de ‘Ubers’ já supera efetivo de grandes empresas do município
O número de motoristas cadastrados em aplicativos de transporte em São José dos Campos já superou a marca de 6.000 pessoas, segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana. O número é superior ao de grandes empresas, como a GM (General Motors), que hoje tem cerca de 4,5 mil funcionários, ficando atrás da prefeitura, que emprega cerca de 10 mil e da Embraer, que contrata aproximadamente 13 mil pessoas.
Para o economista Edson Trajano, o número representa falta de opção de emprego formal. “O crescimento está diretamente ligado à crise do desemprego que afeta o país inteiro. Você não tem outras opções, então muitos encontraram no aplicativo uma alternativa de ganho econômico”, explicou.
Para motorista, apps falham como meio integral de sustento da família
Para o motorista Danilo Neves, que trabalhava em uma transportadora antes de se tornar motorista de aplicativos, são necessárias nove horas diárias de serviço nas ruas de São José para tentar fechar as contas do mês.
“[Os aplicativos] são para pessoas que queiram ter uma renda extra para uma compra, auxílio para o aluguel. Não dá para fazer somente isso”, afirmou, Neves. “São muitos fazendo isso, então é um serviço que quem ganha mesmo é a população”, continuou.
O motorista, que atua há oito meses com as viagens, agora sonha em conquistar o mercado como idealizador do seu próprio aplicativo, que transporta e acompanha idosos e pessoas com deficiência.
