Atriz, cantora, dançarina, compositora e antes de tudo isso, joseense. Esses são os atributos de Leila Coelho Gonçalves, artisticamente conhecida como Leilah Moreno.
Nascida e criada em São José dos Campos, ela se destaca no Brasil e no mundo.

Leilah tem duas indicações no Grammy Latino: de cantora revelação e de melhor álbum. Já foi protagonista na minissérie Antônia da rede Globo, faz parte do vocal da banda do programa Altas Horas, além de ter participado de outras produções na mesma emissora. Também abriu shows para artistas como Chitãozinho & Xororó, Milton Nascimento, Daniela Mercury e outros. Além disso, integrou o elenco do seriado Sintonia (Netflix) e Pico da Neblina (HBO Max).
A veia artística de Leilah começou a pulsar ainda na infância em São José, onde morava no bairro Vila Nair com a família que tinha um coral de igreja e uma banda de samba partido-alto, um estilo de samba cantado em forma de improviso entre dois ou mais cantores.
Contato com a arte
Ainda menina, ela já dublava as músicas do Rei do pop Michael Jackson e quando completou os sete anos passou a integrar o coral e banda da família, chamada Última Hora. Era nos palcos em que a banda se apresentava que ela soltava a voz, nos aniversários da cidade, festivais e festas de fim de ano de empresas como Johnson & Johnson, antiga Kodak e GM (General Motors).
“A primeira personalidade que tenho como ídola é minha mãe, a primeira pessoa que eu conheci como artista. Eu a via sempre no palco e achava que todo mundo era capaz de fazer isso” , conta a artista.

Quando menina, na praça do bairro e com a Trupe do Rizzo, costumava passar parte do tempo enquanto não estava na escola. O grupo dos palhaços Rizzo e Berinjela fazia apresentações gratuitas para crianças carentes na cidade. Junto com a trupe, ela dublava Michael Jackson e também cantava músicas ao vivo.
“Conviver com a Trupe me despertou para o universo da arte de lona, do qual está muito associado a apresentação para públicos sentados, o que lembra teatro de prosa e teatro de arena. O circo também ensina a arte da improvisação e voz de comando do apresentador de picadeiro (palco) e isso me incentivou a ter uma presença de palco mais firme, fluída e confiante”, diz a atriz que já atuou em três séries nacionais e integrou musicais.

Para que pudesse se ocupar enquanto a mãe trabalhava, Leilah também foi inscrita em uma escolinha de teatro, o que fomentou ainda mais seu interesse pelas artes cênicas.
Ela foi crescendo e com oito anos começou a cantar na banda de samba partido alto da família. Na escola, ao observar a inclinação artística de Leilah, os professores costumavam dizer que ela era uma criança focada em coisas específicas, o que exigia o oferecimento de uma educação diferenciada e até por isso, a instituição era um pouco mais flexível com a presença da aluna na sala de aula, para que a cantora mirim pudesse participar das apresentações de música muita das vezes costumava ser liberada da escola.
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Dos 12 anos em diante ela passou a cantar em bandas de rock da cidade e fez parte das bandas Trópicos, Questão de Estilo e por último, da Gostoso Veneno.
Ao completar seus 17 anos a cantora começou a bater asas em busca de sua carreira como artista e mudou-se para São Paulo. Estudou na Universidade Livre de Música Tom Jobim e na Escola Villa Lobos. Mesmo após a mudança, o coração da joseense Leilah seguia em São José, onde sempre visitava os familiares.
“Lembro muito bem do Parque da Cidade quando foi liberado e construído, foi sensacional para termos um lugar em contato com a natureza. Eu gosto muito de árvore e de mato, quando me perguntam se sou de São José dos Campos respondo que sim, eu sou do mato”, brinca.
Intercalando a rotina entre as duas cidades, quando vinha para o Vale do Paraíba a jovem passava os dias na chácara de sua tia no bairro Torrão de Ouro. Lá era onde Leilah verdadeiramente tinha contato com a natureza e subia em árvores, mas não somente isso, o contato com a arte também estava presente pois na época seus tios faziam aula de inglês e tinham o costume de escutar artistas americanos como Whitney Houston e Tina Turner.
Entre idas e vindas, Leilah Moreno participou do programa Quem Sabe Canta da Record. Neste momento foi descoberta pelos irmãos Gui e George Boratto, com quem lançou 3 CDs de seguimento eletrônico e hip-hop. A partir daí, foi reconhecida como cantora revelação pela EMI ( Electric and Musical Industries) Europa, por seu timbre e citada como uma das melhores 100 vozes do século na Europa. Desde então ela nunca mais parou e mudou-se definitivamente para São Paulo.
Espectro autista
Aos 24 anos, quando já morava na capital paulista, Leilah percebeu que sua personalidade, atitudes e pensamentos a diferenciavam das pessoas ao seu redor. Depois de conhecer um amigo neurocientista e saber mais sobre o espectro autista, ela entendeu de onde vinha toda a fixação por Michael Jackson.
“Eu praticava muito o masking, que é copiar as atitudes, ações e pensamentos das outras pessoas Eu achava que não tinha personalidade e vontade própria porque estava sempre tentando me adaptar aos grupos e as pessoas e essa é uma das características muito fortes do TEA. Precisei passar por terapia para tirar a necessidade de absorver tudo” diz Leilah.
Após isso Leilah passou por exames que a diagnosticaram com espectro autista de grau 1.
Esta matéria faz parte da série especial “Made in Sanja”, produzida pelo Portal SP Rio+, que celebra a população de São José e traz histórias de pessoas que destacaram Brasil afora. As próximas três reportagens dessa série vão contar a vida e a trajetória do jogador profissional de FIFA Klinger Castro, da chef Viviane Gonçalves e do estudante Pedro Serafim.
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