
A sub-representação política da RMVale tanto na Assembleia Legislativa de São Paulo quanto na Câmara dos Deputados gera inúmeros prejuízos para a RMVale, porque, em princípio, uma “bancada regional” numericamente menor significa menos parlamentares diretamente envolvidos na formulação, negociação e fiscalização das políticas públicas que interessam à região.
Já que todo mundo sabe disso, fica o questionamento: a culpa é de quem?
O processo de escolha do eleitor por determinado candidato pode ser considerado multidimensional, por envolver múltiplos fatores, tais como o sociológico (qual grupo eu pertenço), o psicológico (com quem me identifico ideologicamente), o racional (qual o custo benefício) e o emocional (rejeição e expectativa).
Mas não é só. Em se tratando de eleições gerais, o voto é decidido principalmente pela influência social (é o amigo do conhecido do candidato). E, em qualquer pleito, a compra de voto grassa (sim, existe muita troca do voto por benefício de natureza pessoal, seja direto ou indireto).
Essa é a dura realidade da democracia brasileira que tem arruinado o sucesso das campanhas pelo voto regional que são realizadas há mais de 20 anos na RMVale por entidades de classes, veículos de comunicação social e lideranças políticas, com o componente adicional dos fenômenos contemporâneos da desinformação, do populismo digital, da polarização e da violência política.
Por outro lado, tenho percebido maior preocupação de moradores da região com a sub-representação política da RMVale e, por consequência, a importância do voto regional. E tenho visto sindicatos e órgãos de imprensa promovendo sabatinas e debates com a presença somente de candidatos a deputados estadual e federal com domicílio eleitoral em alguma das 39 cidades que compõe a RMVale.
Ao mesmo tempo, porém, é preciso registrar que o aumento na quantidade de votos nos candidatos da região não alcançará o efeito desejado – de maior representatividade política da RMVale – enquanto a classe política apresentar o disfuncional comportamento de promover 79 candidatos a deputado estadual e 70 candidatos a deputado federal na região.
É a fragmentação de um sonho.
Quem sabe as coisas mudem em 2030…
Marcos Vinicius Limão de Melo Freitas é jornalista e advogado, com especializações em Marketing Político (Universidade de Taubaté) e Direito Eleitoral (IDDE). Tem experiência com jornalismo investigativo, advocacia, campanha eleitoral e assessoria parlamentar. É autor de dois livros, dentre eles o “ENXAME: guerra psicológica no processo eleitoral e os novos paradigmas para campanhas políticas”.